Coimbra com sistema de partilha de trotinetas elétricas a partir de março

A Câmara Municipal (CM) de Coimbra e a empresa Lime formalizaram, esta manhã, um acordo de colaboração para a instalação e operação de um sistema de partilha de trotinetas elétricas na cidade, uma forma que a autarquia encontrou para regular a atividade. Em março, Coimbra será a segunda cidade portuguesa a receber esta operadora e até lá vão decorrer campanhas de segurança e educação, com o objetivo de promover hábitos de uso responsável, desde a utilização do capacete, à condução segura e que respeite as regras de trânsito, até ao estacionamento correto. Esta é mais uma medida que reforça Coimbra como ‘smart city’.

As trotinetas com motor elétrico vão chegar a Coimbra, através da implementação do sistema de partilha da empresa Lime. Este meio de transporte já está a ser instalado em várias cidades por todo o Mundo e é considerado como útil para quem tem de percorrer distâncias relativamente curtas ao longo do dia, sem preocupações maiores com o estacionamento.

As vantagens deste meio de transporte, designadamente no plano ambiental, justificam que se estimule a sua utilização, sustentou Manuel Machado, sublinhando que, no entanto, se trata de “um desafio”, particularmente para os seus “utilizadores e para os moradores da cidade”, de quem depende, antes de mais, o “bom uso do espaço público”.

Os ganhos ambientais e energéticos são, também, um ponto a favor deste sistema, que permite, face à utilização do automóvel, uma redução de emissões de gases com efeito de estufa, de partículas, de ruído ambiente, de consumo de energia, de congestionamento do tráfego, melhoria da qualidade do ar e do ambiente urbano.

“Ciente do desafio” e de “alguns riscos” que a introdução das trotinetes na vida da cidade comporta, o presidente da CM Coimbra afirma-se “confiante”, mas pede a “todos, desde logo aos moradores” e aos utentes (que espera que sejam “os primeiros fiscais de si próprios), que cooperem para melhor integrar este meio de transporte na mobilidade da cidade.

As regras de utilização implicarão, por exemplo, uma idade mínima de 18 anos; o uso recomendado de capacete; estacionamento apropriado num dos 70 “hotspots” que a CM Coimbra vai demarcar para o efeito, sem obstruir zonas de circulação pedonal, acessos e estacionamentos; circular nos termos do código da estrada e sem acrobacias e manobras perigosas.

Até à entrada em funcionamento do sistema de partilha de trotinetes elétricas em Coimbra, vão decorrer “campanhas de segurança e educação” para promover o seu uso responsável, desde “a utilização [recomendada] do capacete”, à condução segura e que respeite as regras de trânsito, até “ao estacionamento correto”, indicou o responsável da Lime.

Uma das medidas que a CM Coimbra solicitou que a Lime implementasse tem que ver com a criação de uma “Zona Vermelha”, compreendida pelas ruas Ferreira Borges, Visconde da Luz, Praça 8 de Maio, Couraça de Lisboa, estendendo-se à zona histórica da Alta da cidade e à Universidade, deixando de fora desta limitação as ruas Larga, Padre António Vieira, S. Pedro e S. João. O objetivo é que o software da operadora limite automaticamente, através do sinal GPS, a velocidade máxima do veículo, que nestas zonas reduz drasticamente por motivos de segurança e organização, e impede o fim da sessão/estacionamento. No futuro podem ser definidas novas “Zonas Vermelhas”.

O custo da viagem será de um euro para desbloquear a trotineta, ao qual se somam 15 cêntimos por minuto de utilização, implicando o uso da aplicação móvel da Lime. O operador terá ainda meios próprios que procedem diariamente à recolha dos equipamentos e recarregamento das baterias. Para além das suas próprias equipas, a Lime estabelece também parcerias com particulares locais, denominados ‘juicers’, que recolhem e recarregam os veículos durante a noite e depois distribuem durante a manhã, sendo pagos por esse serviço.

Recorde-se que o acordo hoje assinado foi aprovado na reunião do executivo camarário de 21 de dezembro. A vereadora Regina Bento refere, no despacho na informação que remete ao presidente da autarquia, Manuel Machado, que este sistema “trará enormes mais-valias para a promoção da mobilidade sustentável e reforçará a nossa cidade como um bom exemplo de ‘smart city’, acrescendo a outras medidas que têm vindo a ser adoptadas”. Regina Bento elenca várias medidas que o executivo socialista tem implementado, nomeadamente “a política de gratuitidade dos passes escolares; a renovação da frota dos SMTUC através de veículos elétricos; a reposição dos troleicarros; a rede Wi-Fi própria instalada em dezenas de pontos da cidade e em toda a frota dos SMTUC; a informação em tempo real; e a rede de ciclovias em criação”.