CMC pede abertura de comportas devido aos peixes mortos no Rio Ceira

A Câmara Municipal de Coimbra (CMC), através do Serviço Municipal de Proteção Civil, apelou hoje, à EDP, para a abertura “urgente” das comportas da barragem do Alto Ceira para fazer face à grande mortandade de peixes no Rio Ceira. A descarga em contínuo de caudal possível não só seria benéfica ao nível da renovação da água, contribuindo para eliminar os agentes que estão a provocar a morte dos peixes e salvando a vida dos espécimes que possam estar em risco, como contribuiria para arrastar para jusante os que agora se encontram, em putrefação, a boiar no rio.

Na perspetiva da CMC, trata-se de “um verdadeiro problema ambiental e de saúde pública junto às povoações ribeirinhas com possíveis graves consequências ao nível da captação e da distribuição de água para consumo humano”. Face à dimensão do problema, o Município alertou a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a GNR/SEPNA, o ICNF e a Delegação de Saúde de Coimbra para esta situação.

Entre outros aspetos, o Município pediu a estas entidades “a realização de análises à qualidade da água para garantia das suas características e, consequentemente, de fornecimento e da saúde dos cidadãos, além da determinação dos fatores que originaram esta situação; a recolha de exemplares (peixes) para realização de exames que determinem as causas da morte e a sua toxicidade; e a confirmação de que não existe nenhum problema de natureza criminal em termos ambientais causador desta situação”.

Sob supervisão da APA, a CMC está a intervir no problema perante os riscos de saúde pública que o mesmo acarreta. Nesse sentido, elementos da Companhia de Bombeiros Sapadores de Coimbra e da Divisão de Ambiente da CMC, munidos de um bote, estão, desde esta manhã, na zona do Cabouco – na entrada nascente do concelho de Coimbra - onde se verificou existirem mais peixes mortos, a recolher esses espécimes.

Apenas durante o período da manhã, os elementos da CMC recolheram 280 kg de peixe morto, que foram conduzidos para aterro; durante a tarde foram retirados e colocados em aterro mais 240 kg, o que perfaz 520 kg. O pessoal envolvido foi ainda forçado a utilizar máscaras devido ao cheiro nauseabundo.

A CMC continuará a efetuar esta recolha durante o dia de amanhã, em Cabouco, Boiça e Tapada.