Fila K apresenta Doclisboa, carta branca

A Associação Fila K Cineclube apresenta, em Coimbra, o Ciclo de Cinema “Doclisboa, carta branca”.  Este ciclo é composto por seis sessões fílmicas em português, exibidas na Escola Superior de Educação de Coimbra, às terças-feiras, pelas 21h30, nos meses de novembro e dezembro.

O Doclisboa cumpre, em 2017, 15 anos de existência e é o principal responsável pela promoção e divulgação do documentário nacional e internacional. A Fila K Cineclube enviou uma carta branca ao Doclisboa com o objetivo de criar um olhar retrospetivo sobre o Festival Internacional de Cinema. A ideia é propor uma seleção e programação de filmes exibidos durante os 15 anos do Festival. A proposta de programação tem só um critério: ser uma seleção de filmes portugueses, não necessariamente, premiados.

A Fila K Cineclube junta-se ao Doclisboa para celebrar o documentário português.

O Doclisboa pretende questionar o presente do cinema, em diálogo com o seu passado e assumindo-o como um modo de liberdade. Recusando a categorização da prática fílmica, procuram-se as novas problemáticas presentes na imagem cinematográfica, nas suas múltiplas formas de implicação no contemporâneo. O Doclisboa tenta ser um lugar de imaginação da realidade através de novos modos de perceção, reflexão e de novas formas possíveis de ação.

PROGRAMAÇÃO

7 Novembro 2017 | A Nossa Forma de Vida | Pedro Filipe Marques, Portugal, 2011, 91’

Na cauda da Europa, oito andares acima d'água, o casamento entre o eterno proletário Armando e a dona de casa Maria Fernanda sobrevive há 60 anos. Como parceiros do mesmo crime, a partilha das suas visões do mundo transforma o quotidiano de um país em decadência económica numa breve comédia da vida. Num filme com a forma de igloo, estes guardiões do passado, deixam o mundo dos mass media inundar a sua torre de controlo, desenhando um retrato no presente da experiência da classe trabalhadora Portuguesa.

14 Novembro 2017 | Yama no Anata – Para Além das Montanhas | Aya Koretzky, Portugal, 2011, 60'

Submerjo nas paisagens do Mondego para onde vim morar com os meus pais em criança, deixando para trás Tóquio, a cidade onde nasci. Através da leitura de cartas que troquei com os amigos e a família que permaneceram no país, reflito sobre a nossa vinda para Portugal e relembro o passado na tentativa de reter a memória efémera, numa viagem com os espíritos que permanecem comigo.

21 Novembro 2017 | Cativeiro | André Gil Mata, Portugal, 2012, 63’

Cativeiro é uma condição de confinamento, no espaço e no tempo. O ser cativo não é só e necessariamente um prisioneiro, também se torna próprio daquele lugar, a sua identidade projeta-se continuamente nesse espaço. Por sua vez, o próprio espaço do cativeiro não é inerte, caracteriza-se através de quem está ali contido; é moldado por essa experiência.

28 Novembro 2017 | Ama-San | Cláudia Varejão, Portugal, Suíça, Japão, 2016, 112'

As Ama-San (“mulheres do mar”) são pescadoras, mergulhadoras numa pequena vila piscatória no Japão na Península de Shima. As Ama-San dedicam-se à recolha de abalones, algas, pérolas e outros tesouros marinhos. Esta prática ancestral leva mulheres de várias idades a mergulhar no mar em apneia, sempre sem ajuda de botijas de oxigénio, conseguindo manter-se com a respiração suspensa até dois a três minutos. Mais do que um retrato visual sobre a sua vivência, questiona sobretudo o papel da mulher na sociedade oriental acompanhando para isso a vida de mulheres com idades compreendidas entre os 50 e os 85 anos. "Ama-San" ganhou o prémio de Melhor Filme da Competição Portuguesa no Doclisboa 2016.

5 Dezembro 2017 | Talvez Deserto, Talvez Universo | Miguel Seabra Lopes e Karen Akerman, Portugal/Brasil, 2015, 100’

A Unidade de Internamento de Psiquiatria Forense é uma estrutura de regime fechado, de segurança média, com vertente reabilitadora. Presta acompanhamento psiquiátrico, psicológico, médico, terapêutico e social. Os homens que a habitam foram considerados inimputáveis pelo tribunal. Sentem o tempo passar, lento. É neste tempo individual que o filme se instala.

12 Dezembro 2017 | A Cidade Onde Envelheço | Marília Rocha, Brasil/Portugal, 2016, 98’

Francisca, uma jovem portuguesa que mora há um ano no Brasil, recebe Teresa, uma antiga conhecida com quem perdera o contacto. Enquanto Teresa vive momentos de descoberta e encantamento com o novo país onde deseja instalar-se, Francisca deseja voltar a Lisboa.