António Arnaut pede ao Governo que cuide melhor do Serviço Nacional de Saúde

António Arnaut, considerado o “pai” do Serviço Nacional de Saúde (SNS), está preocupado com o futuro da sua criação. “Espero que este Governo tenha em conta que o Serviço Nacional de Saúde é hoje das poucas esperanças do povo português, é hoje dos poucos lenitivos que o povo português tem. A pessoa sabe que, se precisar de uma porta aberta para curar o sofrimento, tem essa porta, mas vai sendo difícil porque às vezes a porta não abre no devido tempo e é preciso que as entidades responsáveis se compenetrem dessa grande responsabilidade, sobretudo quando se trata do Partido Socialista”, enunciou hoje António Arnaut, na Casa Municipal da Cultura, durante o lançamento do livro “António Arnaut Biografia”, escrito por Luís Godinho e Ana Luísa Delgado. 

A apresentação da obra foi presidida pelo presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado, a quem António Arnaut agradeceu “tudo o que tens feito pela Cultura e por este teu amigo”. A sessão contou ainda com a presença da vereadora da Cultura da CMC, Carina Gomes, e do vereador do Desporto, Carlos Cidade, entre inúmeras outras personalidades. 

Sobre o livro, o biografado revelou: “Neste caso, eu disse mais do que alguma vez tinha dito, fui ao osso das confidências e da minha vida, digamos assim, privada, que eu reservo.” Apresentando uma visão modesta sobre aquela que é vista como uma das maiores conquistas sociais desde o 25 de Abril – se não mesmo a maior -, António Arnaut disse: “Eu não fiz nada de especial – cumpri o meu dever. Mas o que faz um rapaz em Lisboa que está na política, que por obra do acaso é chamado para um Ministério chamado Ministério dos Assuntos Sociais, que pode escrever no Diário da República, e que é democrata e socialista, que acredita numa sociedade livre, justa e fraterna? O que faz? Faz o que pode pelo povo, foi apenas isso que eu fiz - escrevi no Diário da República aquele despacho temerário que ninguém foi capaz de revogar.”

Por seu turno, Manuel Machado acentuou a complexidade da personalidade de Arnaut. “É impossível que o livro, por mais perfeito e completo que seja, expresse a vida e obra de um homem (…); aceitem que eu diga que este é mais um contributo para um novo ângulo, para um novo olhar, para um novo modo de ver da vida de um homem importante, de Coimbra, da Serra da Janeanes e da Pátria portuguesa e da Língua portuguesa.”  

Na opinião do presidente da CMC, esta biografia contribui para “conhecer mais um pouquito da vida do importante homem, de Coimbra, de Penela, da Serra de Janeanes, mas especialmente das humanidades e dos direitos humanos porque ele é um combatente pela vida política, pela vida cidadã, pela vida vivida, por isso as felicitações aos autores que arriscaram e riscaram e, obviamente, o agradecimento, mais uma vez, absolutamente merecido, em nome da cidade de Coimbra, ao Sr. Dr. António Duarte Arnaut”.