"Filmes Pedidos" na BlacBox do Convento São Francisco

Quando o cinema nasceu, no tempo do mudo, surgiram também os músicos acompanhadores de filmes que, no encontro com a imagem, improvisavam as primeiras bandas-sonoras. Com estreias quase todas as semanas, estes músicos começaram a organizar o seu repertório por temas – ação, mistério, peripécias, romance e tragédia –, que depois adaptavam a cada novo filme que chegava.  

Inspirados por este primeiro encontro entre música, cinema, composição e improvisação, os criadores António-Pedro, Eduardo Raon e Ricardo Freitas preparam-se para um encontro único e desconhecido: o da sua música com os filmes que nunca viram. 

No início, os espectadores escolhem, do menu do dia, o filme que querem ver e assim começa o encontro improvisado de som e imagens… 

Filmes Pedidos é um filme-concerto aparentemente canónico, em que uma banda sonoriza ao vivo vários filmes mudos. Mas com uma diferença crucial: são os espectadores a escolher os filmes que os músicos nunca viram.

Fora da sala, enquanto o público entra, os músicos aquecem, evidenciando o risco do momento e a preparação necessária para o enfrentar. Lá dentro, apresentam-se os filmes disponíveis para essa sessão. Depois de conhecidas as sinopses de todos os filmes, os espectadores votam no seu preferido e os dois filmes mais votados serão vistos. O público pode ainda decidir se quer comunicar aos músicos alguma informação sobre os filmes... Os músicos são então chamados ao palco e o filme-concerto começa.

O processo de criação de Filmes Pedidos implicou a composição de um reportório de temas ou leitmotivs, à semelhança dos primeiros acompanhadores de filmes, mas sem mimetizar a música e o estilo de época, privilegiando, pelo contrário, uma abordagem contemporânea.

Para além deste material pré-composto, o trio desenvolveu estratégias de comunicação, decisão, liderança e composição em tempo real para gerir não só a criação musical como a sua relação com as imagens: todo um sistema/jogo entre elementos pré-estabelecidos, improvisação e acaso em reação a filmes que os músicos não prepararam previamente.

O encontro entre a escolha do espectador e o desconhecimento dos músicos sobre quais os filmes a musicar, coloca a improvisação numa zona privilegiada, ao mesmo tempo que intensifica a fruição de um reportório riquíssimo do cinema primitivo, selecionado por um dos maiores especialistas portugueses da história do cinema, Nuno Sena, diretor do Festival Indie Lisboa.


Ficha artística

António-Pedro - bateria, percussões, melódica, voz 

Eduardo Raon - harpa e eletrónica, daxofone, stylophone, voz 

Ricardo Freitas - baixo acústico, efeitos, voz 

Marta Azenha – apresentação e locução de intertítulos

 

Conceito e direção artística: António-Pedro

Colaboração: Caroline Bergeron

Curadoria dos filmes: Nuno Sena

Figurinos: Zafu Futon

Produção executiva: Maria João Garcia

Produção: Companhia Caótica

Co-produção: Teatro Viriato

Criado sob encomenda do Centro Cultural de Belém/Fábrica das Artes (2015)

 

Sobre António-Pedro

Compôs música para filmes de Ivo M. Ferreira, Margarida Leitão, Leonor Noivo, Edgar Medina, Vasco Diogo. Também compõe para espetáculos, tendo trabalhado com Vera Mantero, Ainhoa Vidal, Filipa Francisco, Caroline Bergeron, Compagnie Sac a Dos, Turak, O Bando, Teatro Meridional, Teatro da Serra de Montemuro, Companhia Maior, Companhia de Dança de Almada, Miguel Abreu, entre outros. 

Tocou ou gravou com João Afonso, Clara Andermatt, Real Pelágio, João Lucas, Fernando Mota, Camané, Jon Luz, Zé Eduardo, Artistas Unidos, Amélia Bentes e Margarida Mestre. Dirigiu a Bigodes Band, que atuou regularmente em festivais e salas de espetáculo por Portugal, Espanha e Bélgica. 

Corealizou O homem da bicicleta ‒ Diário de Macau (prémios do Público nos VIII Encontros de Cinema Documental Amascultura e Melhor Documentário nos Caminhos do Cinema Português em 1999), a curta Filme-Aperitivo, para o seu filme-concerto Sherlock Jr. 

Realizou Pequeno Grande C e o videoclip Truz-Truz. Apresenta-se ao vivo com Sopa Nuvem (vencedor do prémio MOMIX 2014) e Poemas para Bocas Pequenas, projeto editado em audio-livro pela BOCA em 2015.

Desenvolve vários projetos e ateliers de filmes-concerto, onde filma e compõe, tentando aprofundar a relação entre imagem e som. Como pedagogo colabora regularmente com a Fundação Calouste Gulbenkian, o Centro Cultural de Belém e a Artemrede. É codiretor da Companhia Caótica.

 

Sobre Ricardo Freitas

Baixista e compositor com colaborações em projetos de jazz, música improvisada, teatro, dança e vídeo.

Colabora com música original para projetos de teatro e dança, tendo trabalhado com Filipa Francisco, Francisco Campos, Maria Radich, Marina Nabais, Mayla Dimas, Miguel Antunes, Pedro Carraca, Rui Guilherme Lopes, entre outros.

Participa em Fungaguinhos, quarteto de voz, violino, baixo e percussão, onde fez novos arranjos da música de José Barata Moura para a infância. Compõe para os seus projetos IntErLúNio (L’Ennui Riot, CD JACC Records, 2011) e GRIP 5. Participou em Wishful Thinking (Wishful Thinking, CD Clean Feed, 2007) 3-Bass-Hit e Pablibut Sone, projeto selecionado para a Bienal de Jovens Criadores da Europa e Mediterrâneo – Turim 97. Enquanto membro da Granular participou no evento Granular meets P.A.R.T.S., no Palais des Beaux Arts em Bruxelas, 2007.

 

Sobre Eduardo Raon

Harpista, compositor e improvisador. Compõe regularmente para Cinema de Animação, Teatro, Dança e Artes Plásticas. No seu trabalho destaca-se a relação com o cinema, tendo composto não só para registo fixo mas também bandas sonoras ao vivo.

Na área estritamente musical tem atuado e gravado com I-Wolf (Áustria), Maria João, Mário Laginha, POWERTRIO, Bypass, Ela Não É Francesa Ele Não É Espanhol, Hipnótica, assim como a solo. Para além de Portugal, tem atuado na Alemanha, Áustria, França, Eslovénia, Eslováquia, Sérvia, Espanha, Rússia, Holanda, Bélgica e Macau.

Trabalhou com realizadores como Fernando Vendrell, Isabel Aboim Inglês, Thomas Hicks, Zepe, Joana Bartolomeu e Nuno Amorim. Compôs e executou música para muitos filmes a convite da Cinemateca Eslovena para o 35 mm Festival e para a Vienalle International Film Festival.

Como intérprete, estreou obras para instrumento solo e para ensemble de Eurico Carrapatoso, Clotilde Rosa, Ivan Moody, João Lucas, Joana Sá, Daniel Schvetz, Eli Camargo, Sebastian Duh e Fernando Lobo. No final de 2013 editou o seu álbum de estreia a solo “On The Drive For Impulsive Actions” pela SHHPUMA (Clean Feed).

 

Sobre Nuno Sena

Atualmente ensina História do Cinema na Restart - Escola de Criatividade e Novas Tecnologias e no Instituto Politécnico de Tomar. É diretor e programador do Indie Lisboa – Festival Internacional de Cinema Independente, do qual foi um dos fundadores em 2004.

Foi responsável pelo Departamento de Exposição Permanente da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, entre Agosto de 1998 e Junho de 2003, coordenando todas as iniciativas decorrentes das actividades de programação, edição e exposição desta instituição. Assegurou a organização de mais de duzentos ciclos de cinema e a coordenação de várias edições: monografias sobre os realizadores Aki Kaurismaki e Ruy Guerra, a atriz Brunilde Júdice, o diretor de fotografia Manuel Costa e Silva, e uma antologia de textos sobre cinema de José Gomes Ferreira e de uma colectânea sobre o novo documentarismo português. Publicou vários textos sobre estes e outros temas em edições e nas folhas da Cinemateca. Foi programador do doclisboa – Festival Internacional de Cinema Documental, entre 2004 e 2007.

Licenciou-se em Comunicação Social com especialização no ramo Cinema Audiovisual, na FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Foi assistente da Direção do Instituto Português da Arte Cinematográfica e Audiovisual IPACA atual ICA, entre 1996 e 1998.

 

Sobre a Companhia Caótica

Fundada em 2009 por António-Pedro e Caroline Bergeron, a Companhia Caótica tem criado regularmente espetáculos e oficinas para público jovem/famílias e também adultos, encomendados pelo Centro Cultural de Belém, Fundação Calouste Gulbenkian, Museu da Marioneta, Festival Indie Lisboa e Festival Temps D´Images. 

Participou, entre outros, nos festivais Spectacles en Recommandé, MOMIX – Festival International Jeune Public (prémio Melhor Espectáculo MOMIX 2014 com Sopa Nuvem), Ourceánie, La Petite Roulotte, A Pas Contés, Le Chainon Manquant (França), Rompiendo el cascaron (Espanha), Big Bang, Dias da Música e CCB Fora de Si (CCB), Festival TODOS, Sementes, Altitudes e Verão Azul. 

Organiza, desde 2015, o Festival Internacional Caótica para público jovem e famílias, em Loulé, e tem em tournée internacional as suas criações Sopa Nuvem e A Grande invasão.

A Companhia Caótica demarca-se pela sua aproximação poética e humoristicamente terapêutica ao público, criando objetos artísticos cuja fonte de inspiração é, muitas vezes, autobiográfica. Acreditamos que, ao aproximar-nos de nós próprios, aproximamo-nos também dos outros, tornando assim as nossas obras em veículos de partilha. 

O objetivo da Caótica é provocar uma resposta do espectador, tocar nas memórias coletivas e individuais, incentivando o pensamento livre e criando neste processo uma forte interdependência entre público e obra. 

Espetáculos cheios como a vida, durante os quais artistas e espectadores criam juntos um momento único e irrepetível.

 

Um filme-concerto em que são os espectadores a escolher os filmes

De António-Pedro, Eduardo Raon e Ricardo Freitas

Companhia Caótica

Convento São Francisco | BlackBox

12 de maio | 14h30 | Escolas, Crianças e Famílias

13 de maio | 16h00 | Crianças e Famílias

M/8 | 60 min

 

Bilheteira

Geral: 4 euros

Famílias (2 adultos com 2 crianças até aos 12 anos ou 1 adulto com 3 crianças até aos 12 anos): 6 euros

 

Escolas e grupos (a partir de 10 elementos): 2 euros