Lançado concurso público para a nova Ponte do Paço

O concurso público para a empreitada de construção da nova Ponte do Paço foi hoje lançado, numa cerimónia que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Município Coimbra. Os presidentes da Câmara Municipal (CM) de Coimbra e da CM Montemor-o-Velho, Manuel Machado e Emílio Torrão, respetivamente, assinaram o acordo de execução para uma obra que tem um custo estimado superior a 400 mil euros e um prazo de execução de 330 dias. A empreitada vai ser financiada pelas autarquias, em partes iguais. A nova estrutura, que liga Arzila (concelho de Coimbra) a Pereira do Campo (concelho de Montemor-o-Velho), vai ser construída ao lado da atual, mas vai ter duas vias para automóveis – resolvendo assim um problema antigo de estrangulamento de trânsito – e passeios para peões.

A nova Ponte do Paço vai substituir a que atualmente é utilizada, uma ponte estreita que só dispõe de uma via para veículos – o que obriga, assim, a circulação alternada – e não tem passeios. A sua requalificação chegou a estar prevista pela então Estradas de Portugal S.A., mas nunca se chegou a concretizar, tendo o Município de Coimbra suportado as reparações desta ponte desde 1998, que está integrada na antiga EN 341 e permite a travessia da Vala Real do Paul de Arzila. Chegou agora a hora de se avançar para a construção de uma nova Ponte do Paço, que vai dispor de duas vias para automóveis e passeios para peões.

Manuel Machado salientou que esta é uma "aparente pequena obra", mas que resulta de "um esforço enorme de muitos homens e mulheres do Mondego", que fizeram "o que é preciso para servir as pessoas". "Desde 1990 que muitos tentaram executar este projeto, mas nunca conseguiram, e agora será mesmo efetuado", destacou.

O presidente da CM Coimbra realçou que existem registos históricos que desde o século XVII identificam esta ponte como uma importante via "no contexto viário regional, pela comunicação com a cidade de Coimbra", e que a construção da primeira ponte de pedra foi lançada pela CM Coimbra a 5 de janeiro de 1699. O autarca de Coimbra salientou ainda que "o nosso Rio Mondego tem a qualidade ímpar que tem, pelo esforço das autarquias e freguesias ribeirinhas. Um recurso natural valiosíssimo, que deve ser bem tratado, dando-lhe utilização a benefício das nossas comunidades".

Por seu turno, Emílio Torrão destacou que este é um momento histórico e que esta é uma obra a pensar nas pessoas. O presidente da CM Montemor-o-Velho elogiou, de seguida, Manuel Machado por ser "um homem que sabe assumir o bom costume de ser livre e de poder escolher as obras que entende, e que ao escolher esta obra (...) está a dizer a muita gente que é um verdadeiro democrata, um verdadeiro republicano, e, sobretudo, que merece ser presidente da Associação Nacional de Municípios, porque efetivamente representa por inteiro o municipalismo português, porque o municipalismo português é aquele que defende os interesses das pessoas e que pensa genuinamente no bem-estar das pessoas".

Emílio Torrão salientou, ainda, que esta obra, para além de servir milhares de pessoas diariamente, tem também uma grande preocupação ambiental e que vai "diminuir a mortalidade de muitos animais do Paul de Arzila", como as lontras e os sacarrabos.

Tendo em conta o regime jurídico da REN foi necessária a obtenção do reconhecimento de relevante interesse público do projeto, o que veio a acontecer por despacho da Secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, publicado no Diário da República no passado dia 16 de janeiro de 2019.

A empreitada vai ser suportada financeiramente pelas autarquias, no âmbito de um acordo intermunicipal que os dois presidentes de Câmara assinaram em junho de 2017. “Face ao facto de não existir alternativa viável, rápida e segura, o Município de Montemor-o-Velho e o Município de Coimbra consideram a construção da nova Ponte do Paço, uma obra estratégica e imprescindível para a circulação rodoviária dos seus munícipes, para o bem-estar das suas populações e desenvolvimento económico e social dos concelhos”, pode ler-se na minuta do contrato administrativo assinado pelos dois autarcas. O documento estabeleceu, ainda, que Montemor-o-Velho ficaria responsável pelo projeto de execução da nova ponte e respetivos estudos geotécnicos e hidráulicos e que Coimbra ficaria responsável pelo projeto de acessos viários à nova ponte. A empreitada será uma importante ligação para os cerca de 2800 habitantes da Freguesia de Pereira do Campo que acedem a Coimbra diariamente e também para quem pretende circular entre os concelhos de Coimbra e Montemor-o-Velho.

Presentes na cerimónia estiveram também as vereadoras da CM Coimbra, Regina Bento e Carina Gomes, vários presidentes de Juntas de Freguesia, e técnicos municipais de ambas as autarquias.