Câmara aprova voto de pesar pelo falecimento de Joaquim Romero Magalhães

O executivo da Câmara Municipal de Coimbra aprovou, por unanimidade, na sua reunião de ontem, um voto de pesar pelo falecimento de Joaquim Romero Magalhães, que faleceu no passado dia 24 de dezembro, aos 76 anos. O voto de pesar foi proposto pelo presidente da Câmara Municipal (CM) de Coimbra, Manuel Machado, nesta que é a primeira reunião desde o sucedido.

“Foi um municipalista convicto e um profundo conhecedor e defensor do municipalismo” que “nunca teve qualquer inibição em assumir com orgulho que tinha o gosto de ser autarca e fê-lo sempre a benefício de Coimbra”, destacou Manuel Machado, recordando o percurso académico e cívico de Romero Magalhães.

O edil acrescentou algumas notas pessoais recordando que teve a “honra e o privilégio de com ele aprender muito” na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (UC).

Joaquim Romero Magalhães desempenhou cargos autárquicos “com reconhecido brio, empenhamento, idoneidade e entusiamo”, concluiu o autarca solicitando aos vereadores que o acompanhassem, por isso, no voto de pesar a transmitir à família e amigos.

Romero Magalhães nasceu em 1942, em Loulé (distrito de Faro), onde viveu até aos 17 anos, licenciou-se em história pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra UC, em 1967, foi docente do ensino liceal e professor catedrático da Faculdade de Economia da UC, onde se doutorou.

Foi presidente do Conselho Diretivo da Faculdade de Economia da UC, durante oito anos, nas décadas de 80 e 90 do século passado, e secretário de Estado da Orientação Pedagógica em governos liderados por Mário Soares (1976-1978), e comissário-geral da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses (1999-2002). A 12 de dezembro deste ano, foi distinguido pela Universidade do Algarve com o título de ‘doutor honoris causa’.

Foi também professor convidado da École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, da Universidade de São Paulo e da Yale University, e sócio correspondente estrangeiro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, de acordo com a sua biografia, na página da Universidade de Coimbra na internet.

Enquanto estudante em Coimbra, Romero Magalhães foi presidente da Associação Académica de Coimbra e do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra, em 1964 e 1963, respetivamente.

Deputado à Assembleia Constituinte da República Portuguesa, eleito pelo PS, em 1975 e 1976, Joaquim Romero Magalhães foi autor de uma vasta obra, tendo coordenado o volume “Alvorecer da modernidade”, da História de Portugal dirigida por José Mattoso, e publicado obras como “Vem aí a República! 1906-1910” ou “O Algarve económico durante o século XVI”, que lançou já em dezembro deste ano.

CM Coimbra / Lusa