Coimbra e o país agradecem a Manuel Antunes

Coimbra e o país prestaram homenagem, esta manhã, ao médico e professor Manuel Antunes, que hoje deixa o cargo de diretor do Centro de Cirurgia Cardiotorácica (CCT) do Centro Hospital da Universidade de Coimbra (CHUC). No dia em que celebra 70 anos, é jubilado e se aposenta do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Manuel Antunes deu a sua última aula no Grande Auditório dos CHUC, com a sala completamente lotada e com direito a uma ovação de pé. Um momento de emoção, numa cerimónia ao cirurgião que leva no seu currículo, entre inúmeros outros feitos, 45 mil cirurgias cardíacas, 358 transplantes cardíacos e a classificação do CCT como Unidade de Referência, reconhecida nacional e internacionalmente. O presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado, esteve presente na cerimónia.

“Uma vida com o coração nas mãos” foi o título escolhido por Manuel Antunes para a sua última lição, que decorreu hoje no grande auditório do CHUC. Perante uma sala cheia de familiares, amigos, colegas e as mais altas personalidades políticas e institucionais, Manuel Antunes decidiu fazer desta última lição, como o próprio frisou, “uma selfie particular” da sua vida. O cirurgião começou por apresentar, através de um powerpoint, os pais, os sogros, a esposa e toda a família para, depois, contar um pouco do seu percurso académico e profissional e agradecer a todos os que lhe foram dando a mão e ajudando ao longo do seu percurso. Um momento carregado de emoção, que culminou com a plateia de pé, a aplaudir o reconhecido cirurgião que hoje se aposentou.

A manhã foi, essencialmente, de elogios e agradecimentos. O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deixou uma palavra de reconhecimento a Manuel Antunes, do “amigo e admirador de sempre”, do “concidadão” e do “Presidente da República”. “Esta saudação é pelo muito que nos deu”, referiu. Já o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, elogiou o cirurgião por ter tido sempre “a ousadia e o atrevimento de ser capaz de desafiar o próprio tempo” e considerou essencial “manuelantunizar o Serviço Nacional de Saúde”. “Precisamos de líderes, com coragem e seriedade, que incentivem e sejam um exemplo”, afirmou o ministro, acrescentando ainda que “ninguém o vai deixar em paz”.

“Está para ficar e para contribuir muito para o futuro da Saúde em Portugal”, salientou, por sua vez, o presidente da República, em declaração aos jornalistas no final da cerimónia. Uma afirmação corroborada pelo cirurgião, que garantiu que vai continuar a trabalhar com doentes, não sabendo bem ainda em que moldes, “se em clínicas privadas ou em missões humanitárias”.

Já no dia 16 de junho, Manuel Antunes foi homenageado pelo Círculo de Amigos do CCT. Na ocasião, o presidente da CMC, Manuel Machado, salientou que o cirurgião “é uma figura absolutamente singular na história médica, científica e universitária de Coimbra. É um «estrangeirado», na aceção mais pura - e mais rara - da palvra: um português que, lá fora, contactou e absorveu novas correntes e novas práticas - e que veio para Coimbra exercer essas práticas e ensiná-las". Manuel Machado salientou ainda os valores humanistas de Manuel Antunes, garantindo que serão estes valores humanistas “a salvar o SNS (...) e que hão-de manter a escola médica de Coimbra distinta e autónoma das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto”.

A cerimónia de hoje terminou com selfies e despedidas. Para além do presidente da República, do ministro da Saúde e do presidente da CMC, estiveram ainda presentes outras personalidades políticas e profissionais, tais como o seu colega Ferrão Oliveira, o presidente do CHUC, Fernando Regateiro, o reitor da Universidade de Coimbra (UC), João Gabriel Silva, o diretor da Faculdade de Medicina da UC, Duarte Nuno Vieira, o ex-presidente da República, Ramalho Eanes, e a sua esposa, Manuela Eanes, a presidente da Administração Regional de Saúde do Centro, Rosa Reis Marques, e Maria de Belém Roseira, o bispo de Coimbra, Virgílio Antunes, entre muitos outros.