Centenário do nascimento do cónego Urbano Duarte assinalado em Coimbra

O presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado, participou, ontem, na sessão solene de abertura do centenário que evoca o nascimento do cónego Urbano Duarte. A sessão, que teve lugar no Instituto Universitário Justiça e Paz, acontece por iniciativa de um grupo de ex-alunos e jornalistas do semanário diocesano “Correio de Coimbra”, no dia em que o cónego completaria 101 anos.

Nesta época em que o cónego Urbano Duarte é evocado em Coimbra, Manuel Machado fez saber que as placas toponímicas da avenida que tem o seu nome voltaram a ser colocadas, uma vez que uma delas tinha desaparecido. “É importante repor a justiça e as placas toponímicas foram repostas sem grandes cerimónias, uma vez que sua inauguração já foi feita há alguns anos”, explicou o autarca.

“Esta é uma homenagem necessária, que honra a memória deste ilustre português”, disse Manuel Machado ao terminar a sua intervenção.

Ao usar da palavra, Manuel Machado explicou que recebeu através "de pessoas amigas, o reconhecimento sobre Urbano Duarte”, dando como exemplo disso mesmo Fausto Correia, que foi aluno de Urbano Duarte e que muito o respeitava.

António Pedro Pita, um dos elementos da comissão organizadora do centenário, e que abriu a sessão, salientou que “é importante preservar a memória de Urbano Duarte na cidade de Coimbra”. António Pedro Pita enalteceu as qualidades de Urbano Duarte, “uma pessoa que era muito querida de todos os seus alunos”.

Estiveram igualmente presentes nesta sessão a vice- reitora da Universidade de Coimbra, Clara Almeida Santos, o diretor do Instituto Universitário Justiça e Paz, padre Paulo Simões, e em representação do Bispo de Coimbra, Virgílio do Nascimento Antunes, o padre Nuno Santos. 

Durante esta sessão solene foram apresentadas quatro abordagens sobre Urbano Duarte. Lígia Inês Gambini falou de “Urbano Duarte e a PIDE: de alinhado a anti-situacionista”. “Das fronteiras da liberdade à liberdade sem fronteiras: a receção de Urbano Duarte ao espirito e à letra do Vaticano II”, foi o tema abordado por Paulo Archer de Carvalho. “Urbano Duarte: o invulgar senhor comendador”, por Mário Martins e “Urbano Duarte: um padre que amava e praticava o diálogo”, por António Jesus Ramos, foram os temas dos outros painéis.

Urbano Duarte foi uma das figuras mais marcantes da segunda metade do século XX. Por influência de um familiar entra no Seminário de Coimbra, no ano letivo de 1929/30. Em 1934 vai para Roma, onde é ordenado padre em 23 de março de 1940, com 23 anos de idade. Chega em 1940 a Coimbra, sendo convidado a integrar a equipa formadora do Seminário. Urbano Duarte foi professor de Eloquência e de Dogmática Especial (curso de Teologia do Seminário). Foi igualmente professor de Religião e Moral na Escola Avelar Brotero e no liceu D. João III (hoje José Falcão), e professor de Filosofia no Colégio da Mealhada. 

Em Coimbra torna-se muito conhecido por ser professor de milhares de jovens e por ter uma maneira diferente de ensinar. Como sacerdote, Urbano Duarte também se destaca por ter sido Prefeito do Seminário e Capelão da Universidade, Pregador da Sé e Cónego do Cabido. Urbano Duarte faz-se notar igualmente como jornalista, tendo começado no semanário “Correio de Coimbra”, na década de 40.