Desassoreamento do Mondego evita cheias e permite valorização do rio

O desassoreamento do Mondego, em Coimbra, iniciado em agosto de 2017, vai evitar cheias e permitir, com outras intervenções projetadas ou já em curso, a valorização e integração efetiva do rio e suas margens na cidade. A necessidade de dragar o leito do rio entre a Ponte Rainha Santa (também identificada por Ponte Europa) e o Açude Ponte, numa extensão de cerca de três quilómetros, tornou-se ainda mais evidente com as cheias do início de 2016, que provocaram “prejuízos significativos em Coimbra e na região do Baixo Mondego”, afirma à agência Lusa o presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado.

Trata-se de “uma obra muito importante” para evitar cheias, que, com outras intervenções que estão programadas ou a decorrer, por exemplo, nos rios Alva (na Barragem das Fronhas) e Ceira (ambos afluentes do Mondego, a montante de Coimbra), vai permitir melhor controlo do nível da água, designadamente em Coimbra. A operação, que implica um investimento superior a quatro milhões de euros (comparticipado por fundos comunitários, através do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos – POSEUR), “beneficia diretamente cerca de 250 mil pessoas” de diversas localidades, essencialmente dos concelhos de Coimbra e de Montemor-o-Velho, destaca Manuel Machado.

“Desencadeada na sequência das cheias de 2016, por um acordo [entre a CMC e o Ministério do Ambiente, assumindo a autarquia a obra] que foi extremamente célere”, a intervenção para a remoção de cerca de 700 mil metros cúbicos de sedimentos do leito do rio faz parte de um conjunto de ações no Mondego, em Coimbra, como a estabilização dos muros na margem direita, entre a Estação Nova (no centro da cidade) e o Açude Ponte, que “estão em degradação”, ameaçando “ruína”, e que implica investimentos da ordem dos oito milhões de euros (igualmente com apoio comunitário), afirma o autarca.

“A areia, os sedimentos que daqui [do leito do rio, em Coimbra] saem”, está a ser depositada a jusante do Açude Ponte, onde faz falta – há ali fundões que atingem “dez metros de profundidade” –, para “repor o chão do rio Mondego entre Coimbra e Montemor[-o-Velho]”, explica Manuel Machado, referindo que se trata de uma obra com alguma “complexidade técnica”, mas que acaba por ser “menos dispendiosa” do que se adotasse outras soluções para esse depósito. Além de, deste modo, “aproveitar recursos naturais que já existem”, a obra é “muito importante não apenas em termos hidráulicos, mas também em termos ambientais”, por exemplo, frisa o presidente da CMC, indicando que estão, por isso, envolvidos técnicos de diversas áreas.

O desassoreamento é igualmente importante para a concretização da “ambição, já com “longos anos, de casar as margens do rio Mondego”, que “fazem parte de Coimbra, e de tornar mais viva, mais articulada, mais vivida, esta área notável” e que a Câmara quer “valorizar”, designadamente com “praias fluviais, junto [à Mata Nacional] do Choupal” e com “a intensificação dos desportos náuticos” e seu uso enquanto espaço de “lazer e de convivialidade”. No âmbito da mesma ambição, a estabilização dos muros da margem direita do rio, entre o terminal ferroviário da Estação Nova e o Açude Ponte – que “está em curso de contratação pública” e é “uma intervenção que envolve um investimento da ordem dos oito milhões de euros” – vai permitir a requalificação de toda esta área, visando, desde logo, banir as barreiras que afastam o Mondego das pessoas e da cidade, adianta Manuel Machado.

Simultaneamente, está a decorrer uma intervenção nos parques Verde do Mondego (onde serão aplicados mais de 800 mil euros) e Manuel Braga, contíguo àquele, no qual a Câmara projeta um investimento de cerca de quatro milhões de euros e cuja candidatura já submetido a fundos europeus, recorda o autarca. Todas estas obras têm “o objetivo de requalificação desta área [ribeirinha] que está no coração da cidade e que merece ser usufruída e visitada”, conclui o presidente da Câmara de Coimbra.

CMC / LUSA