Novas Ruas do Bairro da Relvinha homenageiam Fundadores da Semearrelvinhas e Alfredo José Soveral Martins

O presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado, descerrou hoje as placas de dois novos topónimos, situados no Bairro da Relvinha: a Rua Fundadores da Semearrelvinhas e a Rua Dr. Alfredo José Soveral Martins, que entroncam ambas na conhecida Rua José Afonso. Retiradas as bandeiras que cobriam as placas, por Manuel Machado e por Jorge Vilas - rosto e voz da Cooperativa Semearrelvinhas -, foi a vez de as dezenas de populares que acompanharam o os dois momentos entrarem na sede da cooperativa.

Aqui falaram o presidente da União de Freguesias de Eiras e São Paulo de Frades, Fernando Abel, e um dos filhos de Alfredo José Soveral Martins, estando ainda presentes um seu irmão, a viúva do homenageado e netos. A intervenção mais emocionada deste final de tarde coube a Jorge Vilas, que agradeceu a Alfredo José Soveral Martins, a Fernando Abel e a Manuel Machado tudo com que cada um contribuiu, à sua maneira, para o desenvolvimento do Bairro da Relvinha.

Jorge Vilas lembrou a amizade com mais de quatro décadas que o liga a Manuel Machado e o que o autarca fez pela Relvinha, desde os tempos em que ainda era vereador. “Quando ele diz que faz, o Machado faz e não há machado que lhe corte a raiz ao pensamento”, assegurou Jorge Vilas.

Já Manuel Machado afirmou que o lema dos habitantes da Relvinha tem sido “semear para viver feliz”. “Todos os fundadores e os cultivadores, todos os obreiros desta obra, merecem a nossa homenagem e ela está ali referenciada, na Rua dos Fundadores da Semearrelvinhas”, enalteceu.

A seguir o presidente da CMC leu o nome de dez crianças signatárias de uma carta que lhe foi entregue naquele momento por algumas dessas crianças. Sem revelar o conteúdo da missiva, Manuel Machado evocou a memória de um seu antecessor: “Uma pessoa que foi presidente da Câmara Municipal de Coimbra, foi meu ilustre antecessor em 1925 – Bissaya Barreto.” O autarca recordou uma expressão utilizada pelo filantropo: “Que eu vos vou dizer e que corresponde a um juramento. Eu vi a vossa mensagem, registei e, parafraseando Bissaya Barreto, sou dos que partilha um princípio de vida que consiste nisto: sinto que é meu dever, é nosso dever, fazer felizes as crianças da nossa terra. E isso assim será feito”, afirmou. 

Nesta cerimónia participaram ainda os vereadores da CMC Carlos Cidade, Jorge Alves e Carina Gomes, o diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Rui Marcos, e os arquitetos João Mendes Ribeiro e José António Bandeirinha.

A Semearrelvinhas foi criada em 26 de Maio de 1975, por um grupo de moradores, com o intuito de construir, na Relvinha, um bairro residencial condigno, em lugar das construções em madeira. O Bairro hoje existente foi fruto do sucesso e esforço desenvolvido por todos, uma vez que se inseriu num programa de autoconstrução, num ato de solidariedade, que envolveu, para além dos moradores, e no âmbito do programa de Serviço Cívico, estudantes universitários de Coimbra e estrangeiros: dinamarqueses, holandeses, belgas, alemães, espanhóis, franceses e americanos.

Por outro lado, várias fábricas contribuíram com material de construção e sanitário. O projeto da primeira fase (bairro do lado direito, no sentido sul da Rua José Afonso) é constituído por 34 fogos. Em 1976, foram entregues 8 moradias e as restantes em 1980. De realçar que o terreno onde estavam implantados os pré-fabricados era camarário e foi cedido, em direito de superfície, à Associação de Moradores (1975). A CMC, através dos seus diferentes executivos, sempre colaborou ativamente com a cedência de maquinaria e alguns materiais.

A 27 de janeiro de 1986, por imposição fiscal, a associação passou a designar-se Cooperativa de Construção e Habitação Económica Semearrelvinhas, C.R.L.

O novo topónimo visa homenagear todos os moradores envolvidos que, deste modo, se veem nele retratados, perpetuando o ato vivenciado naquele espaço.

Por seu turno, o Dr. Alfredo José Braga de Soveral Martins nasceu, em Coimbra, a 9 de Abril de 1945, e faleceu a 13 de Dezembro de 1997. Licenciado em Direito, foi professor assistente na Universidade de Coimbra, de 6 de Maio de 1975 a 30 de Setembro de 1985.

Durante os anos que regeu o Curso de Direito deixou, em obras policopiadas ou impressas: Processo e Direito Processual I e II, Direito Processual Civil, I vol. Noções Gerais, Fora do Texto, Coimbra; Legislação Anotada sobre ambiente e associações de defesa, Centelha, Coimbra; Legislação Anotada sobre salários em atraso, Centelha, Coimbra, 1989; A Organização dos Tribunais Judiciais Portugueses, I, II e III, Fora de Texto, Coimbra.

Assumiu, antes e depois do 25 de Abril, uma atitude de resistência cívica por motivos sindicais e causas não rentáveis e exerceu uma advocacia austera e economicamente perdulária pelo movimento cooperativo mais fruste e carente de apoios. Com o seu saber e integridade de cidadão honrou a advocacia.