Via Central “é um passo crucial para a recuperação do centro histórico de Coimbra”

O presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado, afirmou hoje que a construção do primeiro troço da Via Central, que irá ligar a Av.ª Fernão de Magalhães à Rua da Sofia, “é um passo crucial para a recuperação do centro histórico de Coimbra e para a reconciliação da cidade com o seu núcleo urbano original”. O autarca discursava após a assinatura do auto de consignação desta intervenção há muito necessária na Baixa de Coimbra (aceda aqui a outro artigo). A cerimónia contou com a presença do ministro Adjunto, Eduardo Cabrita, do presidente da Assembleia Municipal de Coimbra, Luís Marinho, e dos vereadores Rosa Reis Marques, Carlos Cidade, Jorge Alves e Carina Gomes, além de inúmeras outras personalidades.

O presidente da CMC salientou que, para Coimbra, “é um ato muito importante que estamos aqui a desencadear”, pois este local “é uma cratera no coração da cidade”, recordando que a demolição que criou esta “ferida” no tecido urbano remonta a 2005. “Infelizmente, durante mais de uma dúzia de anos, devido a avanços e, sobretudo, aos recuos do Sistema de Mobilidade do Mondego, a cidade teve de conviver com uma cratera no coração da sua malha urbana, tendo criado danos físicos evidentes, mas também danos sociais e humanos”.

Manuel Machado lembrou que, em Coimbra, até ao dia de hoje, o designado Metro Mondego “consistiu apenas na eliminação de um transporte de que a população dispôs durante um século - a linha da Lousã – e na demolição de edifícios no interior da Baixa”, constatando que a cidade ficou com “feridas urbanas numa das suas partes mais valiosas e especialmente sensíveis, neste perímetro classificado como Património Mundial da Humanidade”. “Com a solução de Metrobus, apresentada no final de maio passado, conseguiu-se desbloquear o processo. Não só vai ser resolvido nos próximos anos o principal problema de mobilidade de Coimbra e dos concelhos vizinhos, como a Câmara de Coimbra pode finalmente avançar com esta etapa do programa de reabilitação urbanística e de reabilitação humana da baixa da cidade”, salientou o autarca.

Para Manuel Machado, “a construção deste primeiro troço da Via Central, representa, para além de um canal de passagem do Sistema de Mobilidade do Mondego, uma peça-chave no processo de recuperação do tecido urbano da cidade”. Sobre os problemas urbanísticos que surgem com a abertura desta Via Central, o presidente da CMC afirma que o trabalho de casa já foi feito, sendo que a FundBox, entidade de reabilitação urbana participada pela CMC, entre outros, “pode agora mobilizar os meios de que dispõe e começar a investir na reabilitação urbana desta zona e a construir conforme foi delineado no projeto inicial arquitetado por Gonçalo Byrne”.

“A partir de agora, é possível estender a outras zonas do centro histórico o que já se fez no Terreiro da Erva e, mais recentemente, na requalificação da zona do Arnado e da Av. Fernão de Magalhães que, graças ao trabalho realizado, deixou de ser um entroncamento periférico de estradas no miolo da cidade e passou a ser um local urbano, aprazível e cosmopolita, identitário - tem lá a Cindazunda por causa disso – da zona de proteção do Património Mundial classificado”, afirmou Manuel Machado.

O autarca descreveu que, do planeamento estratégico adotado, estão ainda em curso os projetos de recuperação da Encosta da Sofia, a revitalização da Praça do Comércio e a valorização do Largo da Sé Velha, integrada na série de melhoramentos de percursos públicos entre o Arco de Almedina e a Universidade, referindo ainda o novo percurso que liga a Baixa e a Alta através da Mata do Jardim Botânico, intervenções estas, entre muitas outras, para as quais foi “preciso trabalhar muito para que a CMC disponha hoje, como talvez nunca tenha tido na sua história, de condições financeiras para assumir todos estes investimentos, bem como todos aqueles que são destinados a apoiar e incentivar a atividade económica e empresarial”, concluiu.

Por seu turno, para o ministro Adjunto, “esta intervenção permitirá resolver, de vez, a ligação entre estes dois eixos da cidade de Coimbra: a Av. Fernão Magalhães e a Rua da Sofia”, sendo esta “uma manifestação daquilo que é a capacidade decisiva de intervenção das autarquias locais na busca de um desenvolvimento equilibrado, da sustentabilidade da vida urbana e de uma gestão adequada dos recursos públicos”.

Eduardo Cabrita salientou que “esta é uma intervenção com dimensão histórica para Coimbra”, fazendo ainda uma referência àquele que “tem sido o papel globalmente exemplar da administração local naquilo que é hoje um caso de sucesso em Portugal: uma capacidade de ter contas públicas rigorosas, credíveis e que permitem aliviar os encargos que recaem sobre os cidadãos e as empresas e ter uma articulação estreita entre esse bom desempenho das finanças públicas e aquilo que é a capacidade de desenvolver estratégias de desenvolvimento, de criação de emprego e de captação de investimento”.

“Não se diga, e digo-o aqui como poderia dizer em qualquer outro município do país, que tem que ver com as características próprias do ano que vivemos. Há aqui, sim, uma clara prioridade à mobilização de recursos para o investimento e para a criação de fatores de desenvolvimento e para a boa utilização de recursos que cabe a Portugal utilizar”, salientou o governante. “Estou certo que o que fazemos aqui hoje é um sinal de confiança na capacidade da cidade de Coimbra no seu papel que tem no país, mas é um sinal de confiança na capacidade do poder local em transformar, melhorando a qualidade de vida das populações. Espero em breve voltar cá, vendo este trabalho realizado e passar da Av. Fernão de Magalhães à Rua da Sofia”, concluiu.