Coimbra quer sistema de mobilidade eficaz independentemente da solução adotada

O presidente da Câmara de Coimbra disse hoje que o que importa é que haja um meio de transportar pessoas, independentemente da solução adotada, congratulando-se com a introdução de autocarros elétricos no canal do Ramal da Lousã e em Coimbra.

“O que é preciso é que haja um equipamento adequado a transportar pessoas – em grande quantidade, com rapidez, com conforto e de forma ambientalmente sustentável – nos trajetos em que há necessidade e em que há procura”, sustentou o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado.

Para o autarca, que falava na sessão de apresentação da solução adotada para o Sistema de Mobilidade do Mondego, por técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e da Infraestruturas de Portugal (IP), com a presença do ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, importa é resolver o problema da mobilidade na cidade e na área outrora servida pelo ramal ferroviário da Lousã.

“Não vamos discutir se a solução com carris era melhor ou pior do que com pneus”, disse Manuel Machado, recordando que “esta Câmara de Coimbra nunca fez finca-pé nos carris”.

Os custos da solução que apontava para a reposição dos carris no Ramal da Lousã “eram tão elevados que Bruxelas não os aprovava” e isso manteria “a cidade e a região sem o transporte de que tanto precisa”, argumentou Manuel Machado, sublinhando que “fundamental é que o projeto cumpra a sua missão”, que é “transportar pessoas”.

Citando Deng Xiaoping, esse “mestre do pragmatismo”, Manuel Machado disse que “não importa se o gato é preto ou branco, desde que cace os ratos”.

Neste caso, “o que é importante é que os trabalhadores, os estudantes, as famílias, tenham um transporte adequado nos trajetos pendulares que diariamente têm de fazer”, insistiu o presidente da Câmara, pugnando por “um transporte adequado, moderno, não poluente – e com grande qualidade”.

Mas, sintetizou, o projeto tem de ser exequível, tem de ter qualidade estética (“estamos numa cidade-monumento”, classificada Património Mundial), deve considerar o espaço urbano e servir “a comunidade e o espaço em que se integra”.

Antes, o autarca fez questão de manifestar o seu reconhecimento ao ministro Pedro Marques pela sua “capacidade de fazer acontecer” e pelo seu “pragmatismo” para “desatar este nó do Sistema de Mobilidade do Mondego”, que foi “atado por alguém indiferente às necessidades desta cidade”.

O projeto Metro Mondego começou em 1996, mas a linha nunca foi criada e em Coimbra resultou “apenas em demolições de edifícios na Baixa da cidade e na eliminação de linhas de comboio que serviam os habitantes, os trabalhadores, os visitantes”, recordou Manuel Machado.

Depois de referir alguns outros aspetos do projeto Metro Mondego, Manuel Machado conclui que ele “só serviu para gastos de mais de 120 milhões de euros do erário público”, em estudos, planos e desconstruções (como, para além das demolições na Baixa histórica de Coimbra, a remoção dos carris do Ramal da Lousã).

“Já passou muito tempo – tempo de mais – em que tudo esteve parado”, conclui o presidente da Câmara de Coimbra, acreditando que “esta página” vai ser virada “definitivamente”.

Lusa