Representantes da ASEAN elogiam desenvolvimento, passado glorioso e futuro brilhante de Coimbra

O presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado, recebeu hoje, nos Paços do Município, representantes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Portugal, composta por três embaixadores, da Indonésia, Tailândia e Filipinas. Uma visita, na qual os diplomatas apresentaram a organização regional de Estados do Sudeste Asiático.

O embaixador da Indonésia, Mulya Wirana, que preside à representação diplomática do grupo em Portugal, começou por agradecer a receção, elogiando a qualidade de sectores de Coimbra como o Ensino, Saúde e Ciência. O diplomata explicou que ontem visitaram o Instituto Pedro Nunes (IPN), onde participaram num seminário e puderam explorar e conhecer as oportunidades que ali se criam. “Coimbra é para nós o centro da inovação”, sublinhou.

Mulya Wirana afirmou que o Sudeste Asiático, uma superfície muito vasta e com muitos milhões de habitantes, é uma “área onde ainda hoje o legado de Portugal está bem presente”. “Coimbra tem um passado glorioso e um futuro brilhante” e “o vosso conhecimento é para nós fundamental”, salientou o diplomata.

“Esta é a capacidade de ensino que queremos implementar no nosso país” e “farei tudo o que estiver ao meu alcance para desenvolver a cooperação entre os nossos países”, afirmou, por seu turno, Chakri Srichawana, embaixador da Tailândia, reconhecendo que “Coimbra é um centro de inovação e educação muito importante”.

Já a embaixadora das Filipinas, Evelyn D. Austria-Garcia, afirmou que o desenvolvimento de Coimbra “impressiona”, esperando que este dia marque o começo de uma nova cooperação. “A experiência de Coimbra é fundamental para nós”, sublinhou.

Depois de escutar os embaixadores, Manuel Machado começou por afirmar que o “desenvolvimento económico começa primeiro nas pessoas e só no final nas finanças”. O autarca saudou o facto de os diplomatas já terem visitado o IPN, explicando que há 25 anos participou no processo de criação desta entidade que auxilia a criação de novas empresas, na qual a Universidade de Coimbra, o Município e os acionistas estabelecem parcerias para melhor acolherem novos projetos. “O instituto surgiu por uma necessidade que tínhamos de acelerar a investigação científica na Universidade e nas escolas superiores politécnicas, e aproveitar esse conhecimento para, na prática, impulsionar a atividade económica”, recordou.

“A Universidade de Coimbra foi, até ao princípio do séc. XX, a única escola superior para o mundo em que se fala português, e, até encontrarmos este novo caminho, a relação da Universidade com a vida económica era relativamente distante”, explicou o edil, garantindo que a incubadora veio impulsionar e diminuir as distancias de modo significativo. “É um caminho que se deve manter”, defendeu.

“Estamos interessados e aprovamos as trocas de experiencias, de produtos, de modos de vida”, afirmou o autarca, acrescentando que “as nossas cidades fortalecem-se com este tipo de movimentos”. “É uma característica típica de Coimbra, que é desde sempre uma cidade aberta ao mundo”, realçou.

Entre outros aspetos, Manuel Machado falou de Coimbra enquanto primeira capital de Portugal, do Panteão Nacional, de personagens com peso na História do País e além-fronteiras que passaram pela cidade, do impacto que o Convento São Francisco criou e no papel das festividades académicas - a decorrer - que transformam a cidade por completo durante vários dias. 

Já enquanto presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Manuel Machado adiantou que a criação da Fundação CEFA (Centro de Estudos e Formação Autárquica) se encontra na fase final de formalidades. Segundo o autarca, o CEFA irá também promover a formação de alunos de outros países através “da troca de alunos (…) no âmbito da cooperação externa de Portugal, das relações bilaterais com vários países”.

Fundado em 1982 e sedeado em Coimbra, o CEFA passou a ser gerido, em 2016, pela ANMP, que anunciou a intenção de o transformar numa escola de altos estudos e de formação da administração autárquica para Portugal e países de língua oficial portuguesa. Para o efeito, a ANMP avançou com a criação da Fundação CEFA, que privilegia "a ligação histórica aos países africanos de língua oficial portuguesa", mantendo também relações de intercâmbio e cooperação com diversas instituições congéneres internacionais.

O grupo ASEAN foi instituído em 8 de agosto de 1967, através da Declaração de Bangkok, e engloba 12 nações: dez delas são países-membros e duas observadoras em processo de adesão ao grupo. Na sua formação original, a organização era composta por Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura e Tailândia. Desde então, Brunei, Myanmar, Camboja, Laos e Vietname juntaram-se à organização.

Os principais objetivos da ASEAN são acelerar o crescimento económico e fomentar a paz e a estabilidade regional. Nos últimos anos, o grupo estendeu laços políticos ao mundo ocidental e aos demais países asiáticos não-membros; estabeleceu um fórum conjunto com o Japão, uma das maiores potências do continente, e um acordo de cooperação com a União Europeia.

Devido à diversidade cultural dos seus membros, a organização adotou o inglês como idioma oficial, sendo a sigla ASEAN a abreviatura do nome original (Association of Southeast Asian Nations). A sede oficial e o secretariado da organização estão sediados em Jacarta, capital e maior cidade da Indonésia, considerado o país-fundador.