Coimbra mantém o dispositivo de combate a incêndios de 2016 e aposta na deteção precoce

O Plano Operacional Distrital (PLANOP) de Coimbra, criado no âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) 2017, foi hoje apresentado, publicamente, numa sessão que decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Coimbra (CMC) e foi presidida pelo secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes. O distrito de Coimbra vai manter o dispositivo de combate a incêndios de 2016, contando, no período mais crítico, a “Fase Charlie”, com 289 bombeiros, 62 veículos e 125 sapadores florestais. A aposta será na deteção precoce e no ataque inicial, de forma a evitar que os incêndios assumam dimensões incontroláveis.

A sessão de apresentação arrancou com o discurso de boas vindas do vereador da CMC responsável pela Companhia dos Bombeiros Sapadores de Coimbra, Jorge Alves, que começou por agradecer a escolha da nossa cidade para a apresentação do documento de 2017 e a presença do secretário de Estado da Administração Interna. Jorge Alves salientou ainda a importância do trabalho desenvolvido pelos bombeiros sapadores e garantiu a disponibilidade da CMC para ajudar no que for necessário. “Estamos sempre disponíveis para colaborar com os nossos meios em qualquer zona do país”, assegurou, desejando, contudo, que tal não seja necessário. “Esperamos que não seja preciso, será um bom sinal”, concluiu.

O PLANOP foi apresentado, de seguida, pelo Comandante Operacional Distrital (CODIS) de Coimbra, Carlos Luís Tavares. O CODIS iniciou a apresentação do documento com uma breve caracterização do distrito de Coimbra, recordando que este tem 17 concelhos, 145 freguesias e que a área florestal representa cerca de 60 % da ocupação do solo. Carlos Luís Tavares explicou ainda a importância do PLANOP, no âmbito do DECIF 2017, referindo que este está afeto à Autoridade Nacional de Proteção Civil e se trata de um instrumento de planeamento, organização e coordenação entre os agentes e as entidades que o integram, pretendendo garantir “uma resposta operacional, articulada e coordenada, no combate aos incêndios florestais”. 

“A mensagem que queremos transmitir é de confiança e de que juntos fazemos mais e melhor”, sublinhou Carlos Luís Tavares. “A aposta é na deteção precoce, no empenho na fase inicial dos incêndios”, prosseguiu, argumentando que o objetivo é não deixar os incêndios avançarem e tomaram proporções mais drásticas. O CODIS de Coimbra revelou ainda que este ano mantém-se o dispositivo de 2016, tendo havido, contudo, um reforço nas ações de formação, e destacou a colaboração dos militares das Forças Armadas do Exército Português, que vão passar a intervir em ações de rescaldo e de vigilância, libertando os bombeiros para as ações de combate às chamas.

Segundo o comandante, no período mais crítico dos incêndios, a chamada “Fase Charlie” (de 1 de julho a 30 de setembro), o distrito de Coimbra contará, à semelhança do ano passado, com 289 bombeiros, 62 veículos e 125 sapadores florestais, 19 postos de vigia, e terá ao dispor, em termos de meios aéreos, três helicópteros ligeiros, sendo que será sempre possível contar com os meios nacionais. Carlos Luís Tavares adiantou ainda que “em 11 municípios do distrito, existem nove máquinas de rasto”, que contribuem para diminuir o risco de reacendimentos. “Este é um dispositivo de todos e para todos”, concluiu, defendendo ser essencial “manter o cidadão informado” e “fortalecer a atitude de cooperação”.

A última palavra coube ao secretário de Estado da Administração Interna. Jorge Gomes falou do DECIF 2017, o documento que contém as diretrizes nacionais para a estratégia de combate aos incêndios, recordando que a prioridade máxima é que não existam baixas. “As mortes têm de ser iguais a zero. Queremos que todos cheguem a casa como saíram, com saúde”, sublinhou o secretário de Estado. O DECIF 2017 “aposta forte no ataque inicial”, referiu, sendo o objetivo conseguir acionar os meios de combate dentro de dois minutos após o alerta. “O incêndio só ganha dimensões incontroláveis porque quando nasceu não tivemos capacidade de o apagar”, afirmou ainda Jorge Gomes, admitindo, contudo, que existem exceções, casos atípicos.

Jorge Gomes falou ainda da “participação integrada de 1380 militares das Forças Armadas nas operações de rescaldo e vigilância”, que já receberam formação, em Castelo Branco, da decisão de pré-posicionamento das equipas de bombeiros nos distritos com mais incidência de incêndios, como Braga, Viana de Castelo e Vila Real, da existência de uma nova valência, um helicóptero de coordenação, e da aposta na formação dos operacionais.

O secretário de Estado defendeu ainda um envolvimento maior dos municípios que, no seu entender, “têm sido a grande âncora do sistema de proteção civil” e do envolvimento dos presidentes das Juntas e Uniões de Freguesia, pela sua proximidade com a população e conhecimento da área geográfica. “Ninguém conhece melhor a população e o terreno do que os presidentes de Junta”, referiu, adiantando que já foi realizado um protocolo com a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) e que já houve, inclusive, ações de formação.

“Portugal sem fogos depende de todos nós”, concluiu o secretário de Estado, apelando à colaboração de todos para fazer frente ao flagelo dos incêndios.