CMC inaugura Praça Gen. Monteiro Valente em Santa Clara

Foi perante a presença de largas dezenas de pessoas que o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, inaugurou hoje a Praça Gen. Monteiro Valente (1944-2012), em Santa Clara. Entre essas pessoas, contavam-se a viúva, filhas e netas do militar de Abril que agora passa a figurar na toponímia da cidade. Além de Manuel Machado, usaram da palavra, na inauguração, a viúva de Monteiro Valente e o historiador Reis Torgal.

O novo topónimo teve por base uma petição, subscrita por um grupo de cidadãos, que sugeria à Câmara Municipal a atribuição do topónimo Augusto José Monteiro Valente, argumentando que “a personalidade em questão justifica tal distinção pelo seu extraordinário desempenho militar e cívico em prol da Democracia e da Liberdade em Portugal. A sua determinação democrática fê-lo abraçar a revolução do 25 de Abril de 1974, desafiando a ditadura vigente, tendo sido o jovem capitão que, sozinho, conseguiu sublevar todo um Regimento, o RI 12 da Guarda…(…) Tal dedicação a uma causa nacional já foi reconhecida ao mais alto nível, em 1986, quando Sua Excelência o Presidente da República, General António Ramalho Eanes, o agraciou com a distinção de Grã Cruz da Ordem da Liberdade.”

Monteiro Valente recebeu ainda outros louvores e condecorações: medalhas de Mérito Militar (3ª, 2ª e 1ª Classes), Serviços Distintos (Prata) e a Ordem de Avis (Cavaleiro e Comendador).

Augusto José Monteiro Valente nasceu em Coimbra, a 16 de janeiro de 1944, onde faleceu, a 3 de setembro de 2012. Concluiu o Curso da Academia Militar, ramo de Infantaria, em 1966. Graduado com os cursos profissionais de Operações Especiais, Topografia, Cartografia e Fotogrametria, Comando e Estado-Maior, Operações Não Convencionais, Comando e Direção e ainda, Auditor da Defesa Nacional. Licenciado em História, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde fez também, uma pós-graduação em Estudos Europeus.

Cumpriu duas comissões de serviço na guerra colonial: em Angola, como alferes, 1967; e na Guiné, como capitão e comandante da Companhia de Caçadores Independente de 1970 a 1972; foi Comandante do 1.º Batalhão de Infantaria Mecanizado da Brigada Mista Independente; Comandante do Centro de Instrução de Operações Especiais, em Lamego; Inspetor do Comando da Região Militar do Norte; 2.º Comandante da Brigada Ligeira de Intervenção; 2.º Comandante do Campo Militar de Santa Margarida; Comandante da Brigada Territorial Nº 5 da GNR, em Coimbra; Inspetor-Geral e 2.º Comandante-Geral da GNR.

“Capitão de Abril”, assumiu em 25 de Abril de 1974 o Comando do Regimento de Infantaria Nº 12, na cidade da Guarda, e ocupou a fronteira de Vilar Formoso.

Sócio fundador da Associação 25 de Abril, foi presidente da direção da Delegação do Centro, em Coimbra. Membro da Comissão Cívica para as Comemorações do Centenário da República, em Coimbra; investigador associado do Centro de Documentação 25 de Abril; investigador do Centro de Estudos interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, colaborou também em várias revistas e jornais, com artigos sobre história militar, geopolítica, geoestratégica e política geral.

É ainda autor da obra “General Sousa Dias – Militar, Republicano, Patriota”, edição da Câmara Municipal da Guarda, coleção Gentes da Guarda, nº 6, 2006.