Começou a obra que tornará o Terreiro da Erva mais humano e seguro

O presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado, assinou, no dia 18 de janeiro, o auto de consignação da obra de “Arranjo Urbano e Paisagístico do Terreiro da Erva incluindo Remodelação de Infraestruturas”. Trata-se de uma intervenção que vai alterar por completo a perceção e uso que hoje predominam neste espaço - em vez de um estacionamento, irá nascer uma praça com esplanadas vocacionada para o lazer e fruição dos cidadãos. 

Nos últimos dias foram efetuadas sondagens arqueológicas de diagnóstico prévio, que permitiram à Direção Regional de Cultura do Centro viabilizar o começo da empreitada. Saliente-se ainda que o decurso da intervenção terá acompanhamento arqueológico e que o cronograma dos trabalhos poderá ser alterado caso sejam encontrados vestígios relevantes.

No ato, realizado num velho edifício central da futura praça, onde funcionou um estabelecimento comercial que ocupava a parte do que resta de uma igreja do século XI, marcaram também presença a vice-presidente da CMC, Rosa Reis Marques, os vereadores Carlos Cidade, Jorge Alves e Carina Gomes, bem como diversos técnicos da autarquia.

Para Manuel Machado, trata-se de uma obra que, em breve, tornará o atual Terreiro da Erva, situado a escassos metros da Rua da Sofia, artéria classificada como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, em mais “um espaço identitário da cidade”, que após a reabilitação, se tornará num local mais aprazível, humano e seguro, dando lugar “a uma verdadeira praça, no coração da cidade, antiga e moderna, como é Coimbra”.

Durante a execução dos trabalhos, segundo o presidente da CMC, tudo o que é património “será preservado meticulosamente” e tudo o que estiver a mais deixará de contribuir para a “poluição” nesta área da cidade. 

O edil lamentou o espaço contíguo ao Terreiro da Erva, um problema que não foi criado pela autarquia, outrora destinado à passagem do metropolitano do Mondego, apelidando-o de “corredor de crime ambiental”. Na opinião do edil, esse corredor nasceu da demolição do património, sem uso subsequente, induzindo “a uma transferência de atividades humanas”, que se expandem como uma “mancha de óleo” para outros sítios da cidade e contribuindo para a degradação dos modos de vida saudáveis dos cidadãos.

O presidente da CMC lançou ainda um apelo à compreensão de todos os munícipes que diariamente utilizam o espaço agora consignado para os constrangimentos inerentes à execução de “uma obra de interesse público, que visa a requalificação urbana e humana”, e que trará benefícios a todos os agentes económicos ali presentes.

Mesmo com a construção da futura praça essencialmente pedonal, os automóveis não vão desaparecer por completo do Terreiro da Erva, estando previstos lugares para estacionamento de residentes e área de cargas e descargas. A circulação de veículos, de forma condicionada, far-se-á através da entrada atual, pela Rua do Carmo e saída pela Rua Direita, com circuito delimitado por pilaretes, sendo alguns retráteis para permitir, por exemplo, a preparação e realização de eventos, como feiras ou espetáculos, ou o acesso de veículos de emergência. 

O que existe hoje a revestir o piso, essencialmente betuminoso e passeios, desaparecerá, para dar lugar a materiais mais nobres, como seixo rolado (permeável e um legado histórico deste local), calcário e granito. Na área do antigo Quintal do Prior será plantado um “bosque” formado por cerca de 30 árvores (carvalhos, freixos e bétulas). À volta do tronco destas árvores serão colocados hexágonos em tijolo vermelho, como referência à ancestral presença de indústrias cerâmicas nesta zona.

Junto a esta área verde é ainda implementado um conjunto de mobiliário urbano composto por bancos de ferro fundido e madeira, e bancos em betão com assento em granito, assim como papeleiras metálicas espalhadas por toda a área a intervencionar.

Ao nível de iluminação pública, está prevista a colocação de candeeiros de parede nas fachadas existentes, complementados com luminárias de coluna nos espaços centrais, recorrendo à tecnologia LED. Em substituição dos atuais contentores distribuídos por vários pontos do Terreiro da Erva, é criado de forma semienterrada um ponto central de recolha de resíduos, constituído por um ecoponto de três unidades (vidro, metal/plástico e cartão) e duas unidades complementares para resíduos domésticos indiferenciados, de grande capacidade.

A empreitada inclui a remodelação de infraestruturas elétricas, de iluminação pública, abastecimento de água, drenagem pluvial e doméstica, gás natural e telecomunicações. Todas as redes elétricas, de iluminação pública e de telecomunicações, atualmente nas fachadas e aéreas, serão colocadas no solo.

A empreitada fica a cargo da empresa Vibeiras SA, que irá receber um total de 519.891,39 euros (valor com IVA incluído) e dispõe, a partir de agora, de oito meses para concluir a empreitada.

A CMC prevê que a requalificação que agora se inicia induza a reabilitação do edificado mais degradado na área do Terreiro da Erva. De certa forma, esse efeito indutor já hoje se faz sentir, como comprovam as obras na “Cerâmica Antiga de Coimbra”.