Câmara atribui apoio de 50 mil euros para levar projetos de música e teatro às escolas e IPSS

O executivo da Câmara Municipal de Coimbra (CMC) aprovou, na sua reunião que está a decorrer, a atribuição de dois apoios pontuais, no valor de 25 mil euros cada, à Orquestra Clássica do Centro (OCC) e ao grupo O Teatrão, para a concretização de projetos educativos e sociais nas áreas da música e do teatro, respetivamente. A OCC vai continuar, assim, com os projetos “Na Música Todos Contam” e “A Orquestra vai à escola – para jovens de todas as idades”, enquanto O Teatrão avança para o 3º ciclo dos projetos “Ver e Pensar: Há tempo para tudo” e “P’rós Grandes: de trás pra frente”.  Estes programas são dirigidos a crianças de jardins-de-infância e escolas do 1º ciclo do Ensino Básico (1º CEB) da rede pública e a idosos de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do concelho.

A CMC promove, desde 2015, o Programa Municipal Socioeducativo e Intergeracional junto de crianças e idosos do concelho. Um programa que se desenvolve em duas vertentes, a música e o teatro, e que tem sido concretizado pela OCC e pelo O Teatrão, respetivamente, com o objetivo de criar “comunidades mais participativas e, consequentemente, mais ativas e informadas, combatendo assimetrias sociais e territoriais”, lê-se na informação que foi analisada na reunião de Câmara. Uma forma da autarquia proporcionar a igualdade de oportunidades no acesso à Cultura a todas as crianças e idosos do concelho.

A OCC implementou, no ano letivo passado, o programa intergeracional junto de turmas dos 3º e 4º anos de 12 escolas do 1º CEB e de idosos de 12 IPSS. Na primeira fase, denominada “A Orquestra vai à escola – para jovens de todas as idades”, a OCC apresentou o conceito de música em várias vertentes, desde a sua variedade de estilos até ao significado da música erudita, tendo terminado com a apresentação de vários trabalhos (pinturas, poemas) desenvolvidos pelos alunos, que serviram de inspiração a Mário João Alves para a criação de nove letras para temas de José Afonso. Seguiu-se a segunda fase, intitulada “Na Música Todos Contam”, que foi de ensaios e de apresentação do espetáculo final, no dia 11 de junho no grande auditório do Convento São Francisco (CSF). O espetáculo contou com a participação de 300 pessoas, entre crianças, idosos, elementos da orquestra e os solistas Mariana Pacheco e Mário João Alves, e foi um verdadeiro sucesso, com o grande auditório do CSF lotado.

Um projeto que cumpriu os objetivos da CMC, de “gerar curiosidade e gosto pela atividade artística, desenvolver a capacidade de avaliação estética e sentido crítico, permitir o domínio de alguns conceitos musicais simples e generalistas, estimular as capacidades cognitivas de crianças e idosos, promover a interação e convívio entre gerações, contribuir para a construção de comunidades mais participativas e inclusivas e contribuir para o enriquecimento humano e social”, lê-se na informação. A OCC concluiu mesmo que, “neste trabalho realizado em 24 instituições, 90% das crianças e dos idosos nunca tinham assistido a um concerto de música erudita, nem tão pouco sabiam o que era uma orquestra com essas caraterísticas, e 80% nunca se tinha deslocado a uma sala de concertos”. 

Uma iniciativa que se revelou um sucesso e que leva agora a OCC a voltar a apresentar um novo programa, dirigido a 12 escolas do 1º CEB da rede pública e 12 IPSS, que deverá abranger mais de três centenas de idosos e seis centenas de crianças, e que culminará também com a apresentação de um concerto final, no CSF, em data a confirmar. Um projeto que, a ser aprovado na segunda-feira, representa um investimento da autarquia de 25 mil euros de apoio pontual a atribuir à OCC para a concretização do programa.

Já no que diz respeito ao teatro, o projeto foi implementado nos dois anos anteriores e foram realizados os programas previstos, “Ver e Pensar: Há tempo para tudo”, junto dos jardins-de-infância e escolas do 1º CEB da rede pública, e “P’rós Grandes: de trás pra frente”, nas IPSS. Um programa de comprovado sucesso que O Teatrão propõe dar continuidade, com o 3º ciclo de formação, que sofre algumas adaptações, fruto da experiência que, entretanto, foi adquirida.

O Teatrão sugere, assim, dar continuidade ao programa “P’rós Grandes: de trás pra frente” junto de sete IPSS que ainda não beneficiaram deste projeto, dar seguimento ao “P’rós Grandes: coisas do amor” junto das seis IPSS que já participaram no primeiro ciclo deste projeto e implementar um novo projeto, intitulado Casa – Geografia de Vida junto dos idosos das seis IPSS que já participaram nos dois primeiros ciclos de formação. Relativamente aos mais novos, a proposta passa por dar continuidade ao projeto “Ver e Pensar”, mas com base num universo de escritos de Miguel Torga. O espetáculo terá o nome de “Ver e Pensar: TerraTorga” e será apresentado a crianças de oito jardins-de-infância e 14 escolas do 1º CEB. A implementação do programa por parte de O Teatrão representa um investimento de 25 mil euros para a CMC.