"Sociedade tem de passar a consumir serviços e não produtos" afirma o ministro do Ambiente, em Coimbra

O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, defendeu ontem, em Coimbra, que o Governo tem o papel de liderar a transição de uma sociedade que consome produtos para uma sociedade que consome serviços, face à finitude dos recursos materiais no planeta. "Cabe ao Governo assumir o papel de liderar essa transição" de uma sociedade que consome produtos para uma sociedade que consome serviços, para garantir a sustentabilidade dos recursos materiais, defendeu João Matos Fernandes na apresentação dos investimentos financiados por fundos comunitários na área da Eficiência Energética na Administração Pública Central, no Instituto Português de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil.

Na sessão, que contou também com a presença do presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC), Manuel Machado, o ministro salientou que o país terá de caminhar para uma "servitização" da economia, para estar melhor preparado para ter acesso aos mesmos bens que tem hoje, consumindo menos recursos. Para exemplificar a necessidade dessa mudança, Matos Fernandes socorreu-se de um berbequim. "Temos um berbequim durante 30 ou 40 anos e é usado 12 minutos" durante todo esse período de tempo, notou, defendendo que as pessoas têm todo o direito a aceder aos serviços e bens, não têm é "que ser donos deles".

Segundo João Matos Fernandes, "é inaceitável construir uma sociedade em que queiramos ser donos de tudo aquilo a que temos acesso", classificando de "heresia" quem opta por comprar algo e deitar fora o que tem, em vez de reparar. O ministro alertou que, se na componente da energia é possível encontrar soluções para produzir a partir de fontes renováveis, já nos recursos materiais não há escapatória, sublinhando que se não houver mudanças nas formas de consumo estará em causa a própria existência humana no planeta.

O ministro do Ambiente recordou ainda que até ao ano de 2030 o país tem a obrigação de reduzir 30% a 40% das suas emissões atmosféricas, onde consta também a redução do consumo energético de 30%. “Não temos a mais pequena dúvida de que os projetos já aprovados (…) vão contribuir decisivamente para que o país possa atingir essa meta”.  

Já Manuel Machado relembrou que quando surgiu a eficiência energética na administração pública, muitos a apelidavam de “a salvação de tudo, no início do PT 2020”, revelando-se, no caso das autarquias, “um mero financiamento/investimento reintegrável com uma compensação que compete com dificuldade com o financiamento bancário normal”. Trata-se de um reajustamento que terá de ser feito na renegociação do Portugal 2020, sublinhou o autarca.

 

Obras no IPO de Coimbra terão financiamento do PO SEUR e redução de taxas municipais de 472 mil euros

“Este tipo de investimentos é daqueles que toda as pessoas beneficiam e no caso do IPO, as obras que ainda estão a decorrer, vão poder beneficiar de uma redução de taxas municipais de 472 mil euros”. Para Manuel Machado, este é um apoio da autarquia que reconhece o interesse público relevante da atividade que se desenvolve no IPO.

Durante a sessão a presidente do conselho diretivo do PO SEUR, Helena Azevedo, apresentou ainda as verbas envolvidas nos projetos aprovados até ao final do ano de 2017. Segundo dados do PO SEUR foram apoiados 103 projetos de investimento, representando 153 milhões de euros de investimento total, dos quais 138 milhões de euros são do apoio do fundo de coesão.

Com a execução dos projetos, prevê-se uma poupança de 10,8 milhões de euros da despesa pública com energia.

Na sessão participaram ainda o presidente do Conselho de Administração do IPOC, Carlos Santos, a presidente da Comissão Diretiva do PO SEUR, Helena Azevedo, a presidente da Administração Regional de Saúde do Centro, Rosa Reis Marques, em representação do Ministro da Saúde, e Amadeu Borges, pró-Reitor da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro.

 

CMC / LUSA