Repúblicas Prá-Kys-Tão e dos Inkas reconhecidas como entidades de interesse histórico e cultural

O executivo da Câmara Municipal (CM) de Coimbra aprovou, na reunião que está em curso, reconhecer a Associação Real República Prá-Kys-Tão e a Associação da República dos Inkas como entidades de interesse histórico e cultural ou social local, nos termos e para efeitos do disposto no n.º 1 do artigo 6º da Lei n.º 42/2017, de 14 de junho. Ambas as repúblicas viram a intenção das suas candidaturas serem aprovadas, no dia 18 de junho, pelo executivo camarário, não tendo dado entrada na CM Coimbra qualquer sugestão ou participação no âmbito do período de consulta pública.

As duas Repúblicas, a Prá-Kys-Tão e a dos Inkas, inseridas na candidatura da Universidade, Alta e Sofia a Património Mundial da UNESCO, apresentaram as candidaturas ao abrigo do “Regime de reconhecimento e proteção de estabelecimentos e entidades de interesse histórico e cultural ou social local” no fim do passado mês de abril, sendo que a dos Inkas não cumpriu inicialmente alguns dos critérios. Após audiência e explicitação, a República colmatou as falhas da primeira versão e entregou, a 1 de junho, toda a documentação necessária o que permitiu dar continuidade ao processo de análise técnica dos serviços camarários.

Na reunião do executivo camarário, de 18 de junho, foi aprovada a intenção de reconhecimento de ambas as repúblicas, tendo esta decisão sido submetida a um período de consulta pública, de 20 dias.

A Real República Prá-Kys-Tão fui fundada em 1951, como comprova um artigo do Jornal “Briosa”, de 3 de fevereiro desse ano, sobre a inauguração da República. Outro dos pontos históricos de destaque, passa pela publicação no Jornal “O Badalo”, jornal do Conselho das Repúblicas, de maio de 1966, de uma fotografia de repúblicos da Prá-Kys-Tão na Tomada da Bastilha de 1965, demonstrando a sua forma interveniente de estar na sociedade.

O espaço físico desta República funciona como um museu dinâmico. Por exemplo, o mural pintado nas escadas que dão acesso da entrada ao primeiro piso, representa a crise académica de 1962. O valor simbólico desta pintura refere-se também à aproximação dos estudantes de Coimbra com a luta dos trabalhadores, uma vez que estão representadas também as figuras da criança, do velho agricultor, do jovem operário e da mulher estudante.

A República dos Inkas, mesmo não tendo evidências do início da atividade enquanto República em 1954, data apontada na ficha de candidatura, apresenta documentos que comprovam a sua longevidade, sendo bastante superior aos 25 anos exigidos por lei. Uma das peculiaridades desta República é que possui inúmeros murais, pintados por repúblicos e por amigos da casa, ao longo de gerações.

Recorde-se que a CM Coimbra aprovou, na reunião do executivo municipal do passado dia 5 de março, uma ficha de candidatura para a instrução de processos de reconhecimento e proteção de estabelecimentos e entidades de interesse histórico e cultural ou social local, de forma a auxiliar os estabelecimentos ou entidades que pretendessem ver efetivado esse reconhecimento. O objetivo passa, pois, por simplificar o procedimento, para que os estabelecimentos que se enquadrem nas categorias previstas na lei, entre eles as repúblicas de estudantes de Coimbra e as lojas com história, possam desencadear, com maior celeridade e simplicidade, o seu processo de pedido de reconhecimento como entidade de interesse histórico e cultural ou social local.