Repúblicas Prá-Kys-Tão e dos Inkas solicitam reconhecimento como entidades de interesse histórico

O executivo da Câmara Municipal de Coimbra (CMC) aprovou ontem, por unanimidade, no decorrer da sua reunião, duas propostas para o eventual reconhecimento das Repúblicas Prá-Kys-Tão e dos Inkas como entidades de interesse histórico e cultural ou social local. A decisão será agora submetida a um período de consulta pública, de 20 dias, para que, por fim, seja elaborado o relatório final. Até ao momento, a CMC já aprovou a intenção de reconhecer as Repúblicas dos Fantasmas, Rápo-Táxo e Farol das Ilhas como entidades de interesse histórico, outras 2 repúblicas de estudantes têm o seu processo em audiência prévia e 12 já apresentaram as suas candidaturas que estão a ser alvo de análise técnica.

As duas Repúblicas, a Prá-Kys-Tão e a dos Inkas, inseridas na candidatura da Universidade, Alta e Sofia a Património Mundial da UNESCO, apresentaram as candidaturas ao abrigo do “Regime de reconhecimento e proteção de estabelecimentos e entidades de interesse histórico e cultural ou social local” no fim do passado mês de abril, sendo que a dos Inkas não cumpriu inicialmente alguns dos critérios. Após audiência e explicitação, a República colmatou as falhas da primeira versão e entregou, a 1 de junho, toda a documentação necessária o que permitiu dar continuidade ao processo de análise técnica dos serviços camarários.

A Real República Prá-Kys-Tão fui fundada em 1951, como comprova um artigo do Jornal “Briosa” de 3 de fevereiro desse ano, sobre a inauguração da República. Outro dos pontos históricos de destaque, passa pela publicação no Jornal “O Badalo”, jornal do Conselho das Repúblicas, de maio de 1966, de uma fotografia de repúblicos da Prá-Kys-Tão na Tomada da Bastilha de 1965, demonstrando a sua forma interveniente de estar na sociedade.

O espaço físico desta República funciona como um museu dinâmico. Por exemplo, o mural pintado nas escadas que dão acesso da entrada ao primeiro piso, representam a crise académica de 1962. O valor simbólico desta pintura refere-se também à aproximação dos estudantes de Coimbra com a luta dos trabalhadores, uma vez que estão representadas também as figuras da criança, do velho agricultor, do jovem operário e da mulher estudante.

A República dos Inkas mesmo não tendo evidências do início da atividade enquanto República em 1954, data apontada na ficha de candidatura, apresenta documentos que comprovam a sua longevidade, sendo bastante superior aos 25 anos exigidos por lei. Uma das peculiaridades desta República é que possui inúmeros murais, pintados por repúblicos e por amigos da casa, ao longo de gerações. 

Recorde-se que a CMC aprovou, na reunião do executivo municipal do passado dia 5 de março, uma ficha de candidatura para a instrução de processos de reconhecimento e proteção de estabelecimentos e entidades de interesse histórico e cultural ou social local, de forma a auxiliar os estabelecimentos ou entidades que pretendessem ver efetivado esse reconhecimento. O objetivo passa, pois, por simplificar o procedimento, para que os estabelecimentos que se enquadrem nas categorias previstas na lei, entre eles as repúblicas de estudantes de Coimbra e as lojas com história, possam desencadear, com maior celeridade e simplicidade, o seu processo de pedido de reconhecimento como entidade de interesse histórico e cultural ou social local.