Armando Goes em destaque na Torre de Anto

A Canção de Coimbra foi novamente debatida, no dia 1 de março, ao final da tarde, no Núcleo da Guitarra e do Fado de Coimbra, que funciona na Torre de Anto.

“O papel pioneiro de Armando Goes na afirmação do Soneto na Canção de Coimbra” foi o tema apresentado pelo investigador do fado de Coimbra, Jorge Cravo, no âmbito do ciclo de palestras “Canção de Coimbra: Cultores e Repertórios”, que a Câmara Municipal de Coimbra (CMC) se encontra a promover e que vai decorrer até ao final do ano. A próxima palestra é dedicada a Zeca Afonso e está marcada para o próximo dia 16 de abril, pelas 18h00, na Torre de Anto.

A sessão foi centrada em Armando Goes e no seu papel na definição da Canção de Coimbra. Jorge Cravo começou por fazer um enquadramento da Canção de Coimbra no início do século XX, contando a história e a importância do contributo de nomes como João de Deus, José Dória, Augusto Hilário, Manuel Mansilha, Manassés de Lacerda, Alexandre Resende, António Menano, Edmundo de Bettencourt e, claro, de Armando Goes para a construção daquela que é hoje a Canção de Coimbra. “Existe em Coimbra uma forma de cantar muito própria, da cidade”, considerou Jorge Cravo, enquanto se ouviam na sala algumas interpretações dos cultores de quem ia falando.

“O recurso ao soneto aconteceu nos anos 20, em Coimbra, com Armando Goes. Foi aí que o soneto passou a ser uma especificidade da canção de Coimbra”, afirmou Jorge Cravo, salientando que “o fado de Lisboa só começou a recorrer aos poetas, nos anos 50, com Amália Rodrigues”. “Armando Goes foi o primeiro cultor a gravar sonetos e a cantá-los em público, nos anos 20”, acrescentou Jorge Cravo, defendendo que Goes ajudou a construir uma nova Canção de Coimbra: original, individual e autêntica. “A sua originalidade prende-se com a opção do soneto, acompanhado à viola, o que contribuiu para um percurso muito próprio, singular e individual. Não basta cantar. Tem que existir uma identidade, uma marca musical de quem canta”, concluiu Jorge Cravo, aplaudido pelo público presente, que lotou a sala da Torre de Anto.

“Este ciclo vai continuar até ao final do ano”, afirmou a vereadora da Cultura da CMC, Carina Gomes, informando ainda os presentes da existência de “uma nova visita temática dedicada ao fado e às tradições académicas”. Uma visita guiada também organizada pela CMC, a realizar nos dias 29 de março e 7 de julho, que realça as vivências académicas e a canção de Coimbra, através de um percurso que passa pelas ruas da Alta, por várias repúblicas de estudantes e termina, precisamente, na Torre de Anto. “Tudo isto faz parte de uma estratégia reforçada da Câmara Municipal para a promoção do fado e da guitarra de Coimbra”, concluiu Carina Gomes.

Esta foi a segunda sessão do ciclo “Canção de Coimbra: Cultores e Repertórios”. Um total de oito palestras, organizadas pela CMC, com o objetivo de promover este género musical enraizado na cultura urbana da cidade e que projetou o nome de Coimbra para o mundo. A próxima palestra tem como tema “A recuperação da Balada por José Afonso”, que, como o título indica, é dedicada a Zeca Afonso e à comemoração dos 55 anos da gravação das suas primeiras baladas, e terá José Manuel Beato como orador. Uma iniciativa de entrada livre, que está marcada para sábado, dia 16 de abril, pelas 18h00, na Torre de Anto.