Património alimentar de outros países é o tema do próximo ciclo “Sabores da Escrita”

O sucessivo êxito alcançado nas anteriores edições do ciclo “Sabores da Escrita”, iniciativa que decorre na Casa da Escrita, levou a Câmara Municipal de Coimbra a organizar, para o ano em curso, mais um conjunto de conferências, seguidas de jantares temáticos, que abordarão estudos sobre os patrimónios alimentares de outros países, nomeadamente, da cozinha francesa, inglesa, italiana e brasileira. A primeira iniciativa de 2019 é já na quinta-feira, dia 14 de março, pelas 20h00. A entrada na conferência é livre, enquanto o jantar tem o custo de 20€ por pessoa.

É, pois, sobre a cozinha francesa que recai o tema que dá início ao ciclo “Sabores da Escrita” de 2019, dedicado ao “Jantar mundano e o drama da vida: histórias servidas à mesa (na novela francesa do século XIX”). A iniciativa decorrerá no dia 14 de março, a partir das 20h00, na Casa da Escrita.

A conferência conta com o contributo de Cristina Robalo Cordeiro, Professora Catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, que abordará o cruzamento da gastronomia francesa com a novela francesa do século XIX, reforçando os seguintes aspetos: A novela, que floresce e atinge o seu apogeu na literatura francesa do século XIX, é muitas vezes qualificada de “palavra viva”. Procedendo da forma primitiva do conto, a novela põe em cena a voz de um contador de histórias, privilegiando a personalidade e a disposição de quem conta. Esta arte de bem contar ocorre, com frequência, numa soirée mundana, em situação convivial de fim de festim, numa apologia do valor da mesa propícia à intimidade, ao torpor lânguido e à ligeira turvação que afeta o grupo de convivas. É da análise da temática “romanesca” destas histórias contadas à mesa, na evocação do cenário de uma boa refeição, que aqui nos ocuparemos”, refere a conferencista.

Já o jantar temático é sobre a relação da literatura com a gastronomia, desta vez, dedicada à rota de saberes e sabores da França do século XIX, que será confecionado e servido pelos Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra.

Sob coordenação geral de Mauro Rodrigues e coordenação do serviço de cozinha do Chef Artur Oliveira, a ementa definida para os convivas é a seguinte: Menu de chasse (Le coup d'avant); Potage (Potage Royal); Entrées (Pâtés de perdrix et de sanglier, Tapas avec alheiras, Filets de bécasse à la Saint Hubert, La mayonnaise de filets de Sole; Rôtis (Les faisans rôtis sur croustade, Le trou normand); Entremets (Pommes de terre gratinées, Les asperges en Branches); Fromages (Fromages français); Dessert (Profiteroles, Crème brûlée, Poires au vin); Vins (Le coup d'après).

O jantar temático contará com a colaboração das companhias de teatro Viv’arte e Bonifrates, que apresentarão excertos da obra de Guy de Maupassant e Honoré de Balzac, incidindo sobre tertúlias e serões de caça.

A participação no jantar requer inscrição prévia, através do telefone n.º 239702630 (Casa Municipal da Cultura, Rua Pedro Monteiro), com custo no valor de 20€ por pessoa e uma lotação limitada a 50 lugares.

Constatado que nos textos de cozinha portuguesa detetam-se ascendências de outros países, as receitas “à moda de” constituíram uma prática europeia documentada, pelo menos, desde o século XVIII. Neste contexto, “Sabores da Escrita” estende-se até dezembro, para uma programação dedicada, ainda, à cozinha inglesa, italiana e brasileira, nas seguintes datas: 

24 de abril – “Requinte, opulência e deslumbramento: a decadência da aristocracia siciliana à mesa durante a unificação política da Itália”, por António Ferro

31 de maio – “Jorge Amado e o sabor de cordel”, por Aparecida Ribeiro

22 de novembro – “À mesa com os Vitorianos”, por Isabel Donas Botto

No decurso de 2019, o evento “Sabores da Escrita” dedicará, também, uma sessão a Sophia de Mello Breyner Andresen (no ano em que se comemora os 100 Anos do seu Nascimento) e a Miguel Torga (por ocasião da comemoração dos 30 Anos do Prémio Camões, o maior galardão literário dedicado à Literatura em Língua Portuguesa que o escritor arrecadou, na primeira edição do Prémio, em 1989).