Exposição de Cerâmica de José António Silva “Variações em Terra e Mar”

A Câmara Municipal de Coimbra apresenta a exposição de Cerâmica “Variações em Terra e Mar”, de autoria de José António Silva. Estará patente ao público desde o próximo dia 8 de setembro (inaugura às 18h00) até ao dia 21 de outubro, na Galeria Pinho Dinis (Casa Municipal da Cultura, à Rua Pedro Monteiro, Coimbra). 

José António Silva estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio e no ARCO. Adquiriu competências e conhecimentos com um grande número de ceramistas do nosso país e através de intercâmbios vários com ceramistas da Bélgica, Brasil, EUA, Grécia e Suíça (entre outros), num processo de partilha de saberes e técnicas. Participou em várias exposições individuais e coletivas.

É autor de vários objetos de Arte Pública e está representado em numerosas coleções nacionais e estrangeiras com pintura, azulejaria e escultura cerâmica, designadamente, no Núcleo de Arte Moderna do Museu Municipal de Almada. 

A imaginação e o lápis transpõem para o papel imagens que o olhar agarra e a sensibilidade afina. As mãos dão forma à pasta que o fogo petrifica. Ficam os objetos para que sejam observados, vividos! É desta forma que o artista descreve genericamente o seu trabalho que, em Coimbra, com a exposição “Variações em Terra e Mar” pretende ser um espetáculo onde a natureza e a vida bailam coreografias ao som de músicas fantásticas.

Todos somos participantes na festa dos sentidos que a arte nos oferece, refere, ainda, o autor das cerca de duas dezenas de esculturas em cerâmica que estarão patentes na Galeria Pinho Dinis, até ao dia 21 de outubro.


VARIAÇÕES EM TERRA E MAR

Das mãos do artista sai a concretização dos mais diversos sonhos. Com barro e água Deus criou o Homem. E o artista, ele próprio 70% água, sabe que não se molda o barro a seco. O Barro, o Grés, as diversas pastas, existem na sua simbiose com a água. Como a vida. A estátua de barro inicial nunca chegou a secar. Mas o homem português é bem o símbolo desta vivência contínua entre a terra e o mar. A ambos vai buscar trabalho, sustento e aventura. Nos sons do vento sobre as águas gerou a sua música. Música que o artista captou nas mulheres de cabelos ao vento, tangendo cordas ou pandeiretas, nos homens que lançam ao mar as redes, ou as recolhem para a terra sobre a qual se constroem casas e mais sonhos. 

Virgílio Ferreira escreveu que “sempre um homem é o primeiro homem”. A verdadeira descoberta das formas nasce das vivências todas, da experiência, de muitos saberes, buscas e encontros, de começos e recomeços, mas também de olhares atentos ao mundo e às gentes. Nasce de mãos habilidosas, ágeis, precisas, que aprenderam a conhecer a sensibilidade dos materiais e a sua reacção/relação com a água e o fogo. 

São essas mãos, o olhar e os saberes, que hoje nos proporcionam esta viagem que se inicia na “barca dos sonhos” e nos transporta até onde nos atrevermos a enfrentar os elementos. 

Natália Pinto