Quinta, 09 de Setembro de 2010

Percursos da Natureza de Coimbra

Mata da Escola Universitária Vasco da Gama

A Quinta de S. Jorge, onde se encontra implantado o Mosteiro de S. Jorge de Milréu, localiza-se a 5 km do centro da cidade de Coimbra (freguesia de Castelo Viegas), na margem Sul do rio Mondego. A quinta engloba uma área de 39 hectares, dos quais 23 são arborizados (carvalhal e pinhal) em terreno com um declive bastante acentuado e exposição solar maioritariamente Nordeste, 14 hectares são terrenos agrícolas, situados entre o rio e a EN 110-3, e os restante constituem uma terceira parcela, disposta em socalcos, onde está implantado o mosteiro. Dada a localização privilegiada da Quinta de S. Jorge, é possível desfrutar de vistas que potencializam o valor cénico e contemplativo da envolvente natural, alcançando a Este a foz do rio Ceira, e a Oeste a entrada do rio Mondego na cidade.


A Cerca do Mosteiro de S. Jorge de Milreu caracteriza-se por uma marcada diversidade de paisagens, mais ou menos modeladas pela acção do homem. Podem-se igualmente individualizar múltiplos habitats, resultantes da variação edáfica, microclimática, hidrológica, geomorfológica e biológica.


Pela elevada diversidade e dimensão dos bosques, a Cerca do Mosteiro de S. Jorge apresenta-se como um local de excelência para a ocorrência de várias espécies de mamíferos. A observação directa de mamíferos deverá ter lugar no seu período de maior actividade, ou seja, ao crepúsculo e início da noite.

 
» Destaques
A mata
A mata
Tamanho real
Os carvalhais presentes incluem-se de forma perfeita na transição biogeográfica e climática da região, aparecendo espécies perenifólias como o sobreiro (Quercus suber), marcescentes como o carvalho-cerquinho (Quercus faginea subsp. broteroi), e caducifólias como o carvalho-alvarinho (Quercus robur). Nestas formações surgem folhosas, nos pontos mais húmidos, como o castanheiro (Castanea sativa) e a aveleira (Corylus avellana) que, no estrato herbáceo, apresentam indivíduos esparsos da orquídea Cephalantera longifolia, abundantes primaveras (Primula acaulis subsp. acaulis), três-passarinhos ou esporas-bravas (Linaria triornithophora), bem-me-quer (Leucanthemum sylvaticum) e espécimes bem desenvolvidos de selo-de-salomão (Polygonatum odoratum). De facto, a mata transforma-se numa aula de botânica para todos os seus visitantes.
A Fauna - Raposa (Vulpes vulpes)
A Fauna - Raposa (Vulpes vulpes)
Tamanho real
Pela elevada diversidade e dimensão dos bosques, a Cerca do Mosteiro de S. Jorge apresenta-se como um local de excelência para a ocorrência de várias espécies de mamíferos. A observação directa de mamíferos deverá ter lugar no seu período de maior actividade, ou seja, ao crepúsculo e início da noite.
Os Anfíbios - Rã-verde (Rana perezi)
Os Anfíbios - Rã-verde (Rana perezi)
Tamanho real
A existência de elevado número de biótopos associados à presença de água, tais como nascentes, linhas de água, minas e tanques, incluindo o próprio leito de cheia do rio Mondego e a existência de condições particularmente húmidas, dada a exposição das encostas da Cerca do Mosteiro, propicia condições para a ocorrência de várias espécies de anfíbios, nomeadamente o tritão-de-ventre-laranja (Triturus boscai), a rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi), a salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra), a rela (Hyla arborea) e a rã-verde (Rana perezi).
A flora - Vide-branca (Clematis vitalba) em flor
A flora - Vide-branca (Clematis vitalba) em flor
Tamanho real
A Cerca do Mosteiro de S. Jorge de Milreu caracteriza-se por uma marcada diversidade de paisagens, mais ou menos modeladas pela acção do homem. Podem-se igualmente individualizar múltiplos habitats, resultantes da variação edáfica, microclimática, hidrológica, geomorfológica e biológica. Situando-se na vertente do vale fluvial do Mondego, marcam presença os bosques e matagais.
Património Histórico
Património Histórico
Tamanho real
O Mosteiro de S. Jorge de Milreu foi fundado no século XII, embora se conheçam registos da sua existência anteriores a esta data, que remontam do século XI. Apesar de subsistirem elementos anteriores, foi a partir do séc. XVI e XVII, nas mãos da Companhia de Jesus, que foi construída a maior parte do património edificado que hoje existe. Com a extinção da companhia, o lugar foi reocupado por Agostinhos, abandonado durante as invasões francesas, novamente reocupado por Agostinhos e, finalmente, vendido em hasta pública aquando da extinção das ordens religiosas.
 
Em 1999, o edifício e a quinta envolvente foram adquiridos pela Associação Cognitaria de S. Jorge de Milreu para servir de lugar ao projecto da Escola Universitária Vasco da Gama, tendo sido objecto de obras de recuperação. Merece destaque a invulgar colecção de azulejos, a capela do mosteiro e os claustros. O Mosteiro de S. Jorge foi classificado como imóvel de interesse público, pelo Decreto nº 5/2002, de 19 de Fevereiro.
As Aves - Mocho-d’orelhas (Otus scops)
As Aves -  Mocho-d’orelhas (Otus scops)
Tamanho real
Relativamente às aves, o grupo dos Passeriformes, especialmente as espécies, que mantêm uma estreita associação com os bosques de carvalhal, linhas de água, vegetação ripícola e zonas com estrato arbustivo bem desenvolvido está bem representado por espécies como a carriça (Troglodytes troglodytes), o pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula), o rabirruivo-preto (Phoenicurus ochruros), o chapim-azul (Parus caeruleus) e o chapim-real (Parus major), entre outros. Para além disso, a quinta constitui uma área importante para a ocorrência e nidificação de aves de rapina diurnas, como o milhafre-preto (Milvus migrans) e a águia-d’asa-redonda (Buteo buteo), e de nocturnas, como o mais comum dos nossos mochos, o mocho-galego (Athene noctua) e o mocho-d’orelhas (Otus scops) devido à disponibilidade de áreas de alimentação (zonas agrícolas) e áreas de refúgio e locais de nidificação (zonas de bosque).
Raridade Botânica - Feto Pteris incompleta
Raridade Botânica - Feto Pteris incompleta
Tamanho real
Foi durante muitos anos considerado um endemismo da Serra de Sintra (que não existia em mais nenhum local do Mundo), tendo sido, contudo, recentemente descoberto junto ao Mosteiro de S. Jorge de Milreu, onde terá sido, ao que tudo indica, introduzido, no passado, pelos monges.
 
» Informações úteis
Duração média da visita: 2 horas Transportes disponíveis: Autocarro dos SMTUC
Melhor época para visita: Primavera, Verão Visita: Acesso livre
Grau de dificuldade: Médio Infra-estruturas:
Acessos: A partir do centro da cidade, Largo da Portagem, Ponto de Santa Clara, Av. Inês de Castro, EN 110-2 e EN 110-3 Contacto para mais informações:
Percurso MARGEM ESQUERDA - Escolha na imagem abaixo os ponto chave do percurso
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