O emblemático Café Santa Cruz comemorou 94 anos de existência

O Café Santa Cruz, um dos ícones de Coimbra, comemorou 94 anos de existência, ontem à noite, com o lançamento do livro “Encontro de Memórias do Café Santa Cruz”. O presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado, a diretora do Museu Nacional Machado de Castro, Ana Alcoforado, e Vítor Marques, um dos atuais sócios do Café Santa Cruz, fizeram a apresentação da obra, espécie de “biografia” em imagens deste famoso café de Coimbra.

Manuel Machado definiu o Café Santa Cruz como “um espaço magnífico, referencial, excelentemente reabilitado”, que foi sempre “um café muito especial” e que, na década de 1920, “era um ponto de encontro atrativo e uma paragem retemperadora da viagem”, dada a proximidade da Estrada Nacional nº 1. Já então era um “café de grande elegância, moderno e atrativo”, com um “serviço sempre amável, acolhedor, estimulante”.

O presidente da CMC deixou uma saudação “aos que fizeram perdurar o projeto ao longo dos tempos”, tendo nomeado um dos empresários que abriu o Café Santa Cruz, Adriano Lucas, que mais tarde viria a fundar o jornal Diário de Coimbra.

Para o autarca, o Café Santa Cruz é mais um elemento que contribui para fazer de Coimbra uma cidade de encontros entre pessoas de diferentes proveniências, credos e religiões, onde cristãos, judeus e mouros coabitaram pacificamente desde tempos muito antigos. Inclusive, recordou que a poucos passos do Santa Cruz, na Rua Visconde da Luz, foi descoberto um espaço que serviu para banhos rituais judaicos, na cave de um prédio com comércio no rés-do-chão. Em dia 8 de Maio, Manuel Machado recordou ainda que o topónimo da praça onde se situa a CMC e o Café Santa Cruz se deve à data de 8 de Maio de 1834, quando os liberais tomaram conta da cidade, na sequência da guerra civil de 1832-34.