Nuno Silva abordou a Canção de Coimbra na Torre de Anto

O Núcleo da Guitarra e do Fado de Coimbra da Câmara Municipal de Coimbra (situado na Torre de Anto) recebeu, esta quarta- feira, Nuno Silva (cantor que se iniciou nos anos 90) para uma conversa, na qual deu testemunho do seu tempo de inclusão estudantil na Canção de Coimbra, do seu contributo, assim como da sua análise aos tempos atuais. Nuno Silva afirmou que o “amadorismo está inerente ao que se faz em Coimbra”, por dois fatores, “porque o fazemos com amor e porque o fazemos em part-time”.

A conversa com Nuno Silva integrou o novo ciclo de palestras da CMC, denominado “Canção de Coimbra: Memórias e Testemunhos”. Trata-se do segundo ciclo dedicado a esta temática, depois do sucesso obtido com o primeiro ciclo, intitulado “Canção de Coimbra: Cultores e Repertórios”. 

A sessão desta quarta-feira foi aberta e encerrada pelo chefe do Departamento de Cultura, Turismo e Desporto da CMC, Francisco Paz, que deixou algumas notas de como deve ser pensado o futuro da Canção de Coimbra, nomeadamente na sua promoção junto dos turistas que vistam a cidade.

Questão levantada por Nuno Silva e que foi o foco central da salutar discussão que se gerou, é a de tentar perceber o que se quer para o Fado de Coimbra. Como avançou - “queremos que ele seja um produto de massas, um produto para turistas, o que queremos para Coimbra?”

Falando do tempo em que começou a cantar, Nuno Silva recordou que, nesse tempo, a Secção de Fado da AAC era muito concorrida. “Havia muita malta a tocar e a cantar”, lembrou, reforçando que, “nessa altura, havia muito mais gente a participar nos organismos”. Ao contrário do que então sucedia, disse Nuno Silva, “agora forma-se um grupo de fados e só depois é que o cantor vai aprender a cantar”. Para o orador, é necessário “haver um trabalho sério e honesto”. Contudo, Nuno Silva considera que, apesar de alguns contras, em Coimbra existe muita gente boa a tocar e a cantar.

Relatando a sua experiência em atuações fora da nossa cidade, Nuno Silva esclareceu que muitas pessoas não estão habituadas à linguagem do Fado de Coimbra e que, por isso, muitas vezes é visto como um extra terrestre.

Questionado sobre a nova roupagem que se tem dado ao Fado de Coimbra, com a junção de novos instrumentos, Nuno Silva diria que “às vezes vale a pena, outras não”. Mesmo assim, afirmou gostar da renovação do fado e deu o exemplo do Ensemble de Fernando Marques. Já quanto à participação das mulheres na Canção de Coimbra, Nuno Silva mostrou-se contra.

Natural de Viseu, Nuno Silva veio estudar para a Universidade de Coimbra, frequentando o curso Engenharia Eletrotécnica e ingressando no Orfeon Académico de Coimbra, no qual descobriu o gosto pelo Canto. No Conservatório de Música de Coimbra, iniciou os seus estudos de Canto com a professora Cristina Aguiar, prosseguindo com a professora Isabel Melo e Silva e realizando exame final de Canto com 19 valores. 

Desde 1998 que se dedica à Canção de Coimbra, tendo atuado nas mais variadas salas de Portugal e estrangeiro e tendo participado em vários concursos de canto. Como cantor interpretou os mais variados papéis em óperas, tais como Aeneas, na ópera “Dido e Aeneas”, e Orfeu, na ópera “Orfeu e Euridice”. No ano 2000, integrou o grupo de fados “Romance”, realizando inúmeros espetáculos em Portugal e estrangeiro. 

Colaborou em várias ocasiões com a Estudantina Universitária de Coimbra, arrecadando vários prémios de solista em festivais nacionais. Foi membro fundador do coro masculino Schola Cantorum, da Secção de Fado da AAC. É membro do Coro dos Antigos Orfeonistas, do Orfeon Académico de Coimbra e sócio do Centro Cultural e Casa de Fados àCapella. É, desde 2013, professor de Canto, na Escola de Música dos Antigos Orfeonistas. 

Ao longo dos anos tem participado em diversos projetos discográficos, que têm permitido divulgar e promover a canção de Coimbra. De entre esses projetos destacam-se a idealização do “Baladas dos Anos 90” – AAC – Secção de Fado (2000), o CD duplo "Romance-canção e guitarra de Coimbra", lançado no âmbito de Coimbra Capital da Cultura (2003), o CD "Cantar Coimbra 2" do Coro dos antigos Orfeonistas de Coimbra e Orquestra clássica do Centro (2008), o CD duplo "100 Anos do Fado" do Coro dos Antigos Orfeonistas de Coimbra (2008), o CD "Acapella" Fados de Coimbra (2009), o CD “Cordis 2” – interpretação de um tema cantado – “Hora de Nós” (2014), o DVD Cordis, com interpretação de temas cantados (2015), o CD (des)Encontros – Fernando Marques Ensemble (2017).

O novo ciclo de palestras “Canção de Coimbra: Memórias e Testemunhos” decorrerá até novembro próximo, à exceção de agosto, sempre na última quarta-feira do mês, às 18h30.

Os critérios subjacentes à escolha dos oradores envolvidos no renovado ciclo tiveram como prévias considerações o facto de, para além de não haver repetição dos oradores da edição anterior, ter-se optado por cultores que começaram por envolver-se na Canção de Coimbra há 40, 30 e 20 anos, ou seja, de finais da década de 70 até hoje. 

Trata-se de um intervalo de tempo razoável para que a distância não turve a objetividade e a cronologia dos factos, aproximando-nos dos tempos atuais, pois alguns dos cultores da presente edição estão envolvidos no circuito atual de promoção da Canção de Coimbra para turistas, o que poderá trazer mais público ao ciclo de conversas organizado pela CMC.

Depois de 26 de abril, a calendarização do ciclo de palestras “Canção de Coimbra: Memórias e Testemunhos” para 2017 é a seguinte: 31 de maio – António Vicente (Guitarra de Coimbra – anos 80); 28 de junho – João Moura (Guitarra de Coimbra – anos 70/80); 26 de julho – Fernando Monteiro (Guitarra de Coimbra – anos 70/80); 27 de setembro – Ricardo Dias (Guitarra de Coimbra – anos 90); 25 de outubro – José Rabaça (Guitarra de Coimbra – anos 80); 29 de novembro – Luís Alvéolos (Cantor – anos 90).