Escritora espanhola Montserrat Villar González em residência artística na Casa da Escrita

A Casa da Escrita da Câmara Municipal de Coimbra acolhe, em regime de Residência Artística, a escritora espanhola Montserrat Villar González, até ao próximo dia 5 de março.

A Residência Artística (uma das principais valências da antiga Casa do Arco, por onde já passaram vários artistas nacionais e internacionais, desde escritores, atores, encenadores, fotógrafos, pintores, bailarinos, coreógrafos, professores e outros), decorre no âmbito da investigação académica que a poetisa está a realizar sobre a obra do poeta luso-brasileiro Álvaro Alves de Faria, assim como sobre a experiência de tradução da poesia daquele autor para castelhano.

Montserrat Villar Gonzaléz é licenciada em Língua e Literatura espanhola e em Língua e Literatura portuguesa. É coordenadora académica do Centro de Estudos de Espanhol para Estrangeiros, na Universidade de Salamanca, e dá aulas de Formação de Professores e de Língua e Literatura espanhola, entre outras disciplinas, na mesma cidade, onde vive.

Como poeta, publicou cinco livros de poesia, tendo alguns dos seus poemas sido traduzidos para o português, galego e inglês. Coimbra foi precisamente a cidade onde um dos seus livros foi editado e traduzido para português (pelo poeta e editor Jorge Fragoso – Editora Palimage). Publicou, ainda, dois manuais didáticos e desenha, regularmente, material didático.

A relação da autora com a cidade de Coimbra começa no ano letivo 1994-1995 quando, enquanto estudante, foi bolseira Erasmus na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Esta primeira experiência em Coimbra permitiu-lhe conhecer poetas e intelectuais portugueses com quem continua, até hoje, a partilhar e aprofundar conhecimentos literários. Nos últimos anos tem, também, participado como convidada em alguns festivais literários em Portugal.

No âmbito da estadia em Coimbra (desde 29 de janeiro), Montserrat Villar González foi convidada a dinamizar várias iniciativas no espaço municipal, a primeira das quais a decorrer já amanhã, 14 de fevereiro, a partir das 18h15, no intuito de assinalar o Dia dos Namorados. A sessão, aberta ao público, integra duas sessões de leituras de poesia: a primeira parte, dedicada a “Poemas de amor da poesia Espanhola”; a segunda parte, sobre “Leitura das Gerações de literatura espanhola mais importantes do Século XX”, com uma breve explicação histórico-literária, apresentação dos autores e leitura de poemas. Nesta leitura de poemas a escritora fará alusão à geração de 14 e geração de 27, à geração do pós-guerra, aos poetas contemporâneos e dará, ainda, especial ênfase às mulheres poetisas espanholas que, no seu entender, continuam a lutar pelo seu lugar no panorama literário atual num mundo diferenciador.

Um Workshop, a partir de uma comunicação sobre a obra de Álvaro Alves de Faria intitulada “A sua literatura Portuguesa e a sua literatura Brasileira — características diferenciadoras” é a proposta de Montserrat Villar González para 27 de fevereiro. A partir das 18h00, na Casa da Escrita, protagonizará uma comunicação em que falará de símbolos que têm diferentes tratamentos na poesia de Álvaro Alves de Faria: a mulher, o tempo, o mar, a morte, amor platónico, a natureza, a música. Será, pois, este o ponto de partida para que os participantes procurem tais elementos em obras de autores portugueses, estudando esta relação no tratamento dos diferentes autores que o próprio Álvaro Alves de Faria assinala (Fernando Pessoa, Eça de Queirós, Miguel Torga, Eugénio de Andrade, Sá de Miranda, Camões, Antero de Quental, Sophia de Melo Breyner, entre outros).

Mais dirigida à sua obra, em co-relação com a obra de autores nacionais, é a sessão que a poetisa Montserrat Villar González nos traz a 2 de março, pelas 18h15, através da leitura de poemas de sua autoria, que cruzará com a escrita de poetas de Coimbra como Leocádia Regalado, Maria Toscano, Nuno de Figueiredo, João Rasteiro, Conceição Riachos ou Jorge Fragoso, entre outros. O que se pretende, com este intercâmbio luso-espanhol, é fomentar o diálogo entre os diferentes autores, nomeadamente, acerca do que significa escrever para cada um deles e sobre as dificuldades de publicação e de expansão da poesia. O encontro pretende, ainda, refletir sobre questões atuais como o tratamento dado pela crítica literária à poesia de autores masculinos e autoras femininas ou sobre o desconhecimento e falta de interesse, generalizado e de ambas as partes, sobre as literaturas dos dois países irmãos.

Todas as iniciativas estão abertas ao público em geral, com entrada livre.