BMC 90 ANOS

NOTA HISTÓRICA  

A longa gestação da Biblioteca Municipal de Coimbra: da ideia à inauguração

As origens da Biblioteca Municipal de Coimbra podem situar-se em meados de Oitocentos, altura em que a criação de uma biblioteca pública municipal em Coimbra – aberta a todos, ainda que primariamente destinada às classes populares – começa a ser defendida por nomes importantes da opinião pública coimbrã.

Em editorial de O Conimbricense (edição de 17 de Fevereiro de 1855), certamente da responsabilidade de Joaquim Martins de Carvalho, director do periódico, era publicada uma defesa enérgica da fundação desta instituição destinada à leitura pública, demonstrando-se a sua necessidade numa cidade que dispunha já da Biblioteca da Universidade, e a oportunidade da iniciativa, proporcionada pela existência de um vasto número de livros em depósito, provenientes dos colégios e conventos da cidade, extintos em 1834.
            Ainda em 1855, decorridos poucos meses sobre a publicação deste artigo, surgia a primeira tentativa camarária de efectivar a criação da Biblioteca, pela mão do Vereador João Lopes de Sousa, que em sessão da Câmara propôs que se “arranjasse nos Paços do Concelho uma casa para servir de biblioteca pública para a qual se pedisse ao reitor da Universidade parte dos livros que se achavam no estabelecimento do Hospital Velho da Conceição, nomeando-se uma comissão para tratar deste assunto” (Cf. José Pinto LOUREIRO, “Biblioteca Municipal de Coimbra : Vinte anos de actividade”, in Arquivo Coimbrão, vol. II, 1943, p. 2).
Apesar de aprovada a proposta e constituída a referida Comissão, composta por dois professores universitários e por Joaquim Martins de Carvalho, a iniciativa malogrou-se, vindo a cair no esquecimento.
Meia década depois, num artigo publicado pelo Dr. Abílio Augusto da Fonseca Pinto no periódico local O Cysne do Mondego (nº 4, de 22 de Outubro de 1860), insistia-se, mais uma vez, na criação de uma biblioteca pública em Coimbra:

            (…) as bibliotecas públicas são uma imperiosa necessidade, e o povo de Coimbra, que é sobretudo uma terra de letras, necessita de uma. A Universidade é certo que tem a sua, que é uma das melhores do reino, e superior a todas pela magnificiência [sic] do edifício; mas essa, que é destinada aos seus filhos, não a faculta ela indistintamente a todos os habitantes e, ainda que o fizesse, as mesmas horas que se conserva aberta não são favoráveis a todos” (José Pinto Loureiro, art. cit., p. 3).

Ainda na década de 60, na sessão da Junta Geral do Distrito de Coimbra do ano de 1862, por iniciativa dos vogais António José Teixeira e Abílio Roque de Sá Barreto, era apresentada uma proposta no sentido de serem solicitados ao Governo os livros em depósito oriundos dos antigos colégio e conventos, considerados suficientes para formar uma biblioteca a cargo da Câmara Municipal de Coimbra. Apesar do parecer favorável, aprovado em 17 de Maio do mesmo ano, em sessão presidida pelo vice-presidente Dr. António Luís de Sousa Henriques Seco, os efeitos práticos imediatos foram nulos. De facto - e apesar do decreto de 2 de Agosto de 1870 que instituiu as bibliotecas populares  impondo às câmaras municipais a obrigação de manterem pelo menos uma dessas bibliotecas na sede do concelho – a proposta de criação de uma biblioteca pública em Coimbra continuava por concretizar. De resto, também outras bibliotecas orientadas para a difusão da leitura entre as camadas populares, fundadas na cidade por iniciativa particular – a biblioteca da Sociedade Terpsichore Conimbricense (inaugurada em 6 de Fevereiro de 1870), e a da Associação dos Artistas (inaugurada em 8 de Maio) - não produziram os frutos desejados, suscitando o seguinte desabafo por parte de Joaquim Martins de Carvalho, um dos seus mais acérrimos defensores:

“As bibliotecas populares podiam ser um grande elemento de instrução; mas desgraçadamente a prática demonstra que os seus fundadores se cansam debalde em as organizar e que o público não as frequenta” (Conimbricense, nº 3632, de 3 de Junho de 1882)

Tal constatação, parece confirmar-se também em relação às disposições camarárias, que se arrastavam sem que das propostas e intenções se passasse à acção.

Em Dezembro de 1892 faleceu o Dr. António Luís de Sousa Henriques Seco, deixando à Câmara a sua livraria. Tomando como motivo este valioso legado, Joaquim Martins de Carvalho voltava a insistir nas páginas de O Conimbricense:

 

            “O Sr. Conselheiro António Luís de Sousa Henriques Seco legou a sua livraria à câmara de Coimbra. é um acto patriótico e que honra a memória do ilustre cidadão falecido. (…) Chegou enfim a ocasião de se realizar o antigo projecto de se criar em Coimbra uma biblioteca municipal” (Conimbricense, nº 4723, de 10 de Dezembro de 1892)


Henriques Seco
(Fundo Manuel da Silva Gaio - BMC)

Falecido Joaquim Martins de Carvalho, o seu filho, general Martins de Carvalho, que o substituiu na direcção do jornal, faria também sua a causa da biblioteca pública, escrevendo, num artigo publicado em 1903:
            “ Já por mais de uma vez temos advogado neste jornal a necessidade de uma biblioteca municipal, onde os indivíduos de todas as classes possam ir com facilidade instruir-se ou recrear-se. Ainda que em Coimbra haja a importante Biblioteca da Universidade, ninguém ignora que ela foi criada exclusivamente para servir aos alunos que frequentam as aulas deste estabelecimento de científico, e que por isso não é acessível aos habitantes da cidade.
À Câmara Municipal de Coimbra compete tomar este negócio a seu cuidado. Nem deve desanimar com a dificuldade da empresa porque, se desde logo não puder organizar uma vasta biblioteca, com o tempo ela se irá aumentando e desenvolvendo, alcançando-se os livros quer por meio de donativo, quer por meio de compra. O núcleo dessa biblioteca possui já a Câmara Municipal” (Conimbricense nº 5839, de 10 de Novembro de 1903, cit. por José Pinto Loureiro, art. cit., nota 1, p. 7).

Na sequência da Implantação da República em Portugal era instalada em Coimbra, em meados de Outubro de 1910, a Comissão administrativa municipal. Pouco depois, logo no dia 27 de Outubro, em sessão presidida por Sidónio Pais, o vereador Albino Caetano da Silva fazia uma proposta de criação de uma biblioteca pública municipal em Coimbra, a qual obteve aprovação unânime. Com esta deliberação, a biblioteca era oficialmente criada, seguindo-se diligências várias no sentido de angariar livros por oferta, que se juntariam ao património bibliográfico já disponível.
Volvidas várias décadas desde que começou a ser reclamada a criação de uma biblioteca pública em Coimbra, a deliberação foi finalmente tomada e a biblioteca criou-se. Contudo, por divergências suscitadas entre os membros da Comissão administrativa em relação ao edifício em que ela deveria ser albergada, nada se fez quanto à instalação e organização. De tal modo que passados alguns anos já poucos se lembravam de que a Biblioteca Municipal tinha sido criada em 1910, e a biblioteca continuava, afinal, ainda por organizar, “nada adquirindo a partir de certa altura e alguma coisa perdendo pela forçada desarrumação, falta de segurança e abandono em que se encontravam os dois mil e tantos volumes de que se compunha” (José Pinto LOUREIRO, “Biblioteca Municipal de Coimbra: Vinte anos de actividade”, in Arquivo Coimbrão, vol. II, 1943, p. 10).
Em 23 de Novembro de 1922, doze anos após a deliberação que criou a biblioteca, em Outubro de 1910, o vice-presidente da comissão executiva da Câmara, Francisco Vilaça da Fonseca (que associara já o seu nome à mencionada deliberação de 1910), propunha que “se organizasse a biblioteca por forma que ela pudesse abrir à leitura pública no mais curto prazo”, e que se nomeasse seu director o Dr. José Pinto Loureiro. Aprovada a proposta por unanimidade na mesma sessão (23 de Novembro de 1922), seguir-se-ia, na sessão seguinte – de 30 de Novembro – a aprovação do regulamento provisório da Biblioteca Municipal, que incluía disposições referentes ao pessoal e respectivas atribuições, incumbindo-se o director nomeado de “tomar as medidas apropriadas a uma rápida instalação e urgente abertura à leitura pública”. (José Pinto LOUREIRO, ibidem, p. 12).


Entrada para as antigas instalações da Biblioteca Municipal de Coimbra
 (Rua Olímpio Nicolau)

Escolhido o local para instalação da Biblioteca - um espaço de que a Câmara era proprietária, pertencente ao Mosteiro de Santa Cruz (o lanço norte da sobreclaustra) - procedeu-se com celeridade às obras indispensáveis, assim como ao inventário geral do espólio bibliográfico disponível.
A 24 de Dezembro, véspera de Natal de 1922, a Biblioteca Municipal de Coimbra era, finalmente – e solenemente – inaugurada, em sessão presidida pelo Presidente da Câmara, Prof. João Duarte de Oliveira.
Dias depois, a 28 de Dezembro, a Câmara aprovava o regulamento definitivo da Biblioteca, e logo nos primeiros dias de Janeiro de 1923 “as suas portas foram franqueadas a um público de visitantes e leitores que não mais deixou de animar as ermadas galerias da sobreclaustra”.

 


Sala de Leitura da Biblioteca Municipal de Coimbra
à data da inauguração (Dez. 1922/Jan. 1923)

Como escreveu o mesmo José Pinto Loureiro (que vimos seguindo neste breve resumo), a quem coube, enquanto director, todo este notável esforço para concretizar, no terreno, a instalação da Biblioteca Municipal, após “o longo período de sessenta e sete anos de gestação”, urgia “aproveitar o tempo e remediar na medida do possível o que tão desastradamente se perdera. Assim se galgou rapidamente em pouco mais de um mês, da deliberação sobre a organização da biblioteca à sua inauguração e à abertura à leitura pública”. (José Pinto LOUREIRO, ibidem, p. 12-13).

 

 

Das instalações provisórias ao edifício actual


Instalada a Biblioteca Municipal (finais de Dezembro de 1922) a título provisório numa nave superior do Claustro do Silêncio do Mosteiro de Santa Cruz e em algumas dependência do rés-do-chão do edifício municipal - por ser necessário dar o passo inicial da sua organização e abertura ao público, evitando adiar por ainda mais tempo a sua instituição efectiva - com o passar dos anos tornava-se cada vez mais premente a necessidade de novas instalações, tanto mais que, usufruindo, desde 1931, do chamado “Depósito Legal”, havia que acomodar quer um acervo bibliográfico em crescimento acentuado quer os serviços necessários ao tratamento e difusão dos documentos.
Outra batalha iria começar até que das antigas dependências do Mosteiro crúzio a biblioteca se transferisse para o edifício actual, construído de raiz nos terrenos do horto municipal (ao cimo da Quinta de Santa Cruz, junto à Rua Pedro Monteiro), após vicissitudes e indecisões várias respeitantes à localização. Delas se dará conta, muito sucintamente, através da cronologia que a seguir se apresenta.

Cronologia Abreviada Relativa à Génese do Novo Edifício da BMC:

1940 – Deliberação camarária no sentido de se proceder à adaptação do edifício das antigas hospedarias e celeiros do Mosteiro de Santa Cruz  (onde anos antes estivera instalada a Cadeia Civil), conhecido por Casa Vermelha, a fim de nele serem instaladas a BMC e a Repartição de Obras da Câmara.

1941 – O ante-projecto encomendado ao arquitecto Joaquim Câmara é entregue à Câmara Municipal e posteriormente remetido à instância superior para aprovação, ficando a aguardar pelo respectivo despacho

1943 – Na sequência do incêndio que destruiu o Colégio de São João Evangelista, a Polícia de Segurança Pública transfere-se para a “Casa Vermelha”, solicitando a cedência de todo o edifício para a instalação de alguns departamentos dela. A Biblioteca Municipal fica, assim, impossibilitada de se expandir para o edifício em questão.

1957, 5 de Outubro - em reunião da Comissão de Arte e Arqueologia, o Dr. Moura Relvas, na qualidade de Presidente da Câmara, propõe o aproveitamento do espaço da Escola Brotero (que entretanto ficara disponível, devido à transferência da escola para novo edifício situado no Calhabé) para instalação da Biblioteca e de outros serviços públicos. Solicita-se, ao arquitecto Madeira Portugal, a elaboração de um ante-projecto para se proceder à construção da biblioteca no terreno imediatamente a nascente do velho edifício da Escola Brotero (cuja entrega à Câmara se considerava compensatória da ocupação da antiga cadeia civil pela P.S.P. (1943). O projecto é elaborado. Entretanto, os referidos terrenos foram destinados a outro fim, ficando novamente adiada a transferência da BMC para novas instalações.

1967 - em sessão camarária ocorrida em Janeiro, anuncia-se o aproveitamento do horto municipal (situado no extremo do Parque de Santa Cruz) parte confrontante com a Rua Pedro Monteiro. Em Fevereiro seguinte constituiu-se uma comissão e um gabinete de estudo. Efectua-se uma deslocação a Lisboa, à Fundação Calouste Gulbenkian, para solicitar a sua colaboração. É elaborado um ante-projecto, da autoria do arquitecto António Serra e Moura, tendo em conta os programas das mais avançadas bibliotecas americanas e europeias.

1970 – publicação do Decreto nº 251/70 de 15 de Maio, no Diário do Governo, classificando como imóvel de interesse público o Parque de Santa Cruz, no extremo do qual, sem qualquer característica de parque ou jardim, se situava o horto municipal.
Encaminhado o projecto da Biblioteca Municipal para Lisboa, o Serviço competente (Junta Nacional da Educação) para se pronunciar sobre a localização do novo edifício da biblioteca, pronuncia-se negativamente. Feitas várias diligências, insistindo-se, sem sucesso, no projectado local para a Biblioteca, a Vereadora do pelouro da Biblioteca propunha, em reunião camarária de 7 de Julho, que se indicasse outro local. Não obstante essa proposta, continuou-se a insistir, durante mais três anos, na Rua Pedro Monteiro.

1973 – Posto de novo à consideração da Comissão técnica da Biblioteca o problema da localização do novo edifício, a mesma pronunciou-se a favor da implantação do mesmo no novo arruamento que viria a ser a Alameda Calouste Gulbenkian. Em 6 de Abril deste corrente ano de 1973, é deliberada a elaboração do novo projecto da Biblioteca para os terrenos da Alameda Calouste Gulbenkian. O projecto da nova Biblioteca (para a Al. Calouste Gulbenkian) recebe aprovação camarária em 27 de Julho, e em Outubro seguinte “as forças vivas da cidade” deslocam-se a Lisboa, para fazer entrega do mesmo ao Dr. Azeredo Perdigão.

 

 
Projecto da nova Biblioteca Municipal de Coimbra
para
a Alameda Calouste Gulbenkian [1973] - alçado

1977, 28 de Agosto – Dado o insucesso no patrocínio da nova Biblioteca na Alameda Calouste Gulbenkian, volta a olhar-se para a sua localização no horto do Parque de Santa Cruz

1977, 28 de Agosto – Conclusão das obras de construção civil do antigo edifício da Escola-Oficina “O futuro”, para acomodação dos periódicos portugueses publicados após 1935

1979 - Projecto para a Biblioteca Municipal de Coimbra, pelo Arquitecto Serra e Moura

 


Projecto da nova Biblioteca Municipal de Coimbra
(perspectiva da fachada virada à Rua Pedro Monteiro [1979])

1980, 4 de Março – a Câmara Municipal confirma a localização da Biblioteca no horto do Parque de Santa Cruz e delibera iniciar os trabalhos preliminares no terreno

1993 – Inauguração do novo edifício da Biblioteca Municipal de Coimbra e transferência dos serviços para as novas instalações.


Biblioteca Municipal de Coimbra (Edifício actual)

A expansão dos serviços/núcleos da BMC: uma cronologia breve

1986 - SADV (Serviço de Apoio a Deficientes Visuais) e Biblioteca Infantil
Ainda no edifício antigo, e correspondendo ao programa de bibliotecas públicas então lançado - Bibliopolis - foi criada uma secção para Deficientes Visuais e uma Biblioteca Infantil/Ludoteca, ambas situadas fora do edifício sede. No âmbito do referido Programa Bibliopolis foi assinado em Outubro de 1988 um contrato-programa entre a Câmara Municipal de Coimbra e a Secretaria de Estado da Cultura que atribuiu uma verba de 8.350.000$00 destinada à aquisição de estantaria para o novo edifício e equi­pamento para a Biblioteca Infantil - único contributo da Administração Central para este empreendimento.

1997 - Imagoteca
A Imagoteca Municipal abre ao público em 1997 após um ano de prospecção durante o qual foi possível reunir e catalogar um significativo acervo fotográfico e cinematográfico, que é o primeiro contributo para a constituição da imagem virtual do concelho. É seu objectivo construir a memória visual da cidade de Coimbra através da reunião e preservação de todo o acervo visual possível, aumentar o património existente pelo registo sistemático dos acontecimentos significativos e depoimentos de personalidades conimbricenses, e propor visionamentos organizados segundo temáticas específicas partilhando essa memória com a comunidade.

2000 - Fonoteca
Em Julho de 2000 abriu ao público a Fonoteca Municipal. Eram seus objectivos promover e divulgar as várias expressões musicais, fomentar e estimular o gosto musical, planificar e progra­mar actividades pedagogico-didácticas, constituir um fundo local que construísse a memória fonográfica de Coimbra e estabelecer relações com outras estruturas congé­neres para intercâmbio de experiências e de actividades e desenvolver iniciativas com agentes públicos e privados.
O espaço que primitivamente ocupava no edifício da Casa Municipal da Cultura não lhe permitia o crescimento nem um atendimento de qualidade pelo que, em Novembro de 2006, reabre em nova sala (hoje sala de leitura do Arquivo Histórico Municipal) bem melhor situada e local de passagem de muitos utentes da Casa da Cultura.
Mais recentemente, em Outubro de 2010, após a reorganização de alguns serviços da Biblioteca Municipal e porque devido a políticas de contenção orçamental nunca foi permitido que a Fonoteca cumprisse com os desígnios que estiveram na origem da sua criação, passou a integrar, juntamente com a Videoteca, o Serviço de Audiovisuais que se encontra instalado no espaço anteriormente ocupado pelo Exploratório/Centro de Ciência Viva, que passou por profundas obras de adaptação para receber este serviço da BMC.

2000 - Rede Municipal de Leitura (Bibliotecas Anexas e Bibliomóvel)
Para além do seu carácter de biblioteca erudita e de conservação, a Biblioteca Municipal de Coimbra tem, essencialmente, uma vocação de biblioteca de leitura pública. Foi neste pressuposto que, em 2000, foi proposto ser alargada a sua acção a uma população periférica, carenciada em termos sócio-culturais e desfavorecida na igualdade de oportunidades de acesso à educação, à cultura e à informação.
O P.D.M. de 1993 já previa a criação de extensões da Biblioteca pelo que, estando reunidas as condições para a sua concretização, foi apresentado o Projecto de Constituição de Rede de Anexos em nome do desenvolvimento cultural da população com vista a uma sociedade mais justa, mais informada, mais livre para exercer os seus direitos de cidadania. Em Setembro de 2000, foi apresentada uma candidatura ao Programa de Apoio à Rede de Bibliotecas Municipais do, então, Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, com vista ao estabelecimento de um contrato-programa entre o referido Instituto e o Município de Coimbra, competindo ao Município a iniciativa da criação e desenvolvimento de uma Biblioteca e rede de anexos, cabendo à Administração Central o apoio técnico-financeiro através de uma comparticipação que podia ir até 50% dos custos orçamentais.Esta rede abrangia, na altura, a totalidade das 31 freguesias, sendo que em nove seriam instalados postos fixos (Almalaguês, Arzila, Assafarge, Brasfemes, Cernache, Eiras, Ribeira de Frades, São João do Campo e Torres do Mondego) em espaços cedidos quer pela própria Junta de Freguesia quer por Associações locais, agilizando e desonerando, deste modo, a instalação destes equipamentos.
Nos 10 anos de exercício que se seguiram à inauguração da primeira biblioteca anexa, concluiu-se pela instalação de pólos em Almalaguês, Assafarge, Brasfemes, Cernache, Ribeira de Frades, S. João do Campo, Souselas e Torres do Mondego (esta última encerrada 1 ano após a sua inauguração por manifesta inadequação do espaço e da faixa populacional a servir). Aguarda-se que o poder político decisório atente nos elevados custos de manutenção destes equipamentos e nos relativos benefícios em termos de resultados quando comparados com o serviço prestado pela biblioteca itinerante, muito mais próximo das reais necessidades das populações, com índices de leitura muito superiores e muito menos dispendioso.
Considerando a especificidade do concelho de Coimbra que, pela sua dimensão, se integrava no programa de bibliotecas públicas então designado por BIBLIOPOLIS, justificava-se plenamente a criação de raiz de uma extensão da Biblioteca Municipal de Coimbra numa zona de elevado crescimento populacional. Assim, desde a aprovação da candidatura apresentada em Setembro de 2000 ao IPLB, está prevista aconstrução em Santa Clara de uma biblioteca tipo BM-1, que engloba as freguesias de Santa Clara e São Martinho do Bispo.

2003 - Galeria Armando Carneiro da Silva (Galeria das Doações).
Inaugurada em 2003, constitui um espaço de comunicação de colecções especiais da BMC, permitindo dar visibilidade a um conjunto de núcleos bibliográficos (em fase de tratamento catalográfico) obtidos através de legados/doações feitas por particulares ou colectividades que quiseram enriquecer o património da BMC através da dádiva parcial ou integral das suas bibliotecas.
A atribuição do nome de Armando Carneiro da Silva à Galeria das Doações constitui uma forma de perpetuar a memória deste antigo director da Biblioteca Municipal de Coimbra. Pretende-se igualmente perpetuar a memória da dádiva de livros à BMC, prestando um tributo de homenagem a toda uma galeria de “amigos da Biblioteca”, beneméritos da Leitura Pública (por meio da doação das suas bibliotecas pessoais/associativas)
As colecções da galeria das doações – frequentemente utilizadas na criação de conteúdos culturais diversificados - têm acesso reservado e os documentos estão excluídos de empréstimo.

2007- SABE e RBC
O Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares (SABE) da Câmara Municipal de Coimbra foi criado em 16/07/2007 por deliberação camarária nº 3067 na dependência hierarquia da Biblioteca Municipal de Coimbra, indo ao encontro das orientações do Programa Nacional Rede de Bibliotecas Escolares (PNRBE) que preconiza a criação deste serviço como elo de ligação entre a Biblioteca Municipal e as Bibliotecas Escolares.
 O SABE tem como PRINCÌPIOS promover a cooperação e a partilha de recursos entre a Biblioteca Municipal e as Bibliotecas Escolares, promoção de dinâmicas na área das literacias, promoção de encontros com autores, consolidação de conhecimentos e implementação de áreas de formação adequadas, concretização de planos e projectos de promoção da leitura e produção de documentos orientadores para as BE.
Todas estas práticas e dinâmicas de actuação consolidadas com a criação deste serviço vinham já a ser praticadas desde 2004 com a assinatura dos primeiros Acordos de Colaboração.
Com a integração na Rede de Bibliotecas Escolares de todas as escolas do concelho de Coimbra: agrupadas, não agrupadas e algumas com contrato de associação com o ME tornou-se fundamental a institucionalização deste serviço SABE bem como a criação de um Grupo de Trabalho Concelhio que operacionalize todo este trabalho colaborativo desenvolvido em parceria.
Este grupo constituído pela Autarquia através do SABE e das escolas que através dos seus PB se fazem representar nas reuniões mensais de trabalho foi formalmente constituído em Outubro de 2008, dando assim origem à criação de uma Rede Concelhia de Bibliotecas Escolares (RBC) legitimada pela assinatura de um normativo representando o corolário de uma rede de cooperação local.
Em conjunto, desenvolvemos um Plano de Acção designado Coimbra a ler +…
Trata-se de um plano de actividades para cada ano lectivo que contem vários domínios de actuação: formação, gestão documental integral das bibliotecas escolares do 1º ciclo e gestão do Plano Nacional de Leitura e promoção da leitura .

Acreditamos que “…em conjunto (bibliotecários e professores) conseguimos influenciar o desempenho dos estudantes para que alcancem um maior nível de literacia na leitura e na escrita, aprendizagem, resolução de problemas, uso da informação e das tecnologias de comunicação e informação.” in Manifesto das Bibliotecas Escolares da IFLA/UNESCO(2000).