(In)citação de 03 setembro

[Evocar Ramalho Ortigão no I Centenário da sua morte: 1915/2015]

 

PEDROUÇOS

 

É a mansão official da villagiatura de Lisboa.

Chefes de secretaria, officiaes, amanuenses, tabelliães, guarda-livros, caixeiros de escriptorio, escrivães, retemperam anualmente em Pedrouços a sua pallida e sedentária fibra plumitiva.

Por isso, Pedrouços, a uma légua de Lisboa, tem um pouco o aspecto de uma secretaria do Estado - ao ar livre.

(...) A praia, como todas as da grande Bahia do Tejo, é lisa, plana, de areia fina. O mar é tranquilo, sereno como um lago, o melhor dos banhos, na maré enchente, para as creanças fraquinhas, para as mulheres débeis, fatigadas.

O forte mar que bate as rochas da praia da Foz, da Figueira, de Leça, da Povoa de Varzim, convém mais particularmente aos fortes, às grossas constituições limphaticas, alentadas e molles, que precisam do exercício da resistência e da lucta. As praias do Tejo, de Pedrouços e Cascaes, são como as dos golphos da Itália e as da Bahia de Arcachon, as mais propicias à constituição dos valetudinarios e dos anémicos.

 

Ramalho Ortigão, in As Praias de Portugal: guia do banhista e do viajante. Porto : Livraria Universal de Magalhães & Moniz, 1876
Fonte:http://arquivodigital-7cv.blogspot.pt/2011/03/as-praias-de-portugal-guia-do-banhista.html
Obs.: Na transcrição do texto, respeitamos integralmente a grafia original